A Fazenda Boa Vista recebeu esse nome pela localização geográfica, que permite uma visão privilegiada capaz de avistar municípios vizinhos e, ainda, garantir características de solo, proteção de vento, incidência do sol e uma altitude de 1.300 metros. Combinação que cria terroirs para a produção de cafés diferenciados.

São quatro terroirs dentro da mesma propriedade, segundo Marcelo Carvalho Ferraz, um dos donos da propriedade. Além desses atributos naturais, a família decidiu aprimorar um pouco mais e criou pequenos jardins botânicos, com mais de duzentas espécies de plantas frutíferas catalogadas, espalhados por toda a fazenda. Para Marcelo, os jardins atraíram uma quantidade maior de pássaros e de abelhas.
Nesse ambiente de 110 hectares, são produzidos cafés das variedades Catuaí, Bourbon e Acaiá e outras quinze experimentais, que, desde 2014, garantem premiações para a fazenda. Os reconhecimentos mais importantes vieram no ano passado: o prêmio do Cup Off Excellence 2025, da BSCA, e o primeiro lugar do Cupping de Cafés Especiais do ATeG Café+Forte 2025, na categoria cereja descascado.

Um dos grandes responsáveis por esse resultado é Joaquim Noronha, gerente da Fazenda Boa Vista, que explica que a alta qualidade dos grãos se deve à altitude, o terroir e também pelo bom terreiro. "Costumo dizer que café não é receita de bolo, porque se fosse, eu poderia vender a receita. Mas acredito que conseguimos ganhar esses prêmios por uma soma de fatores. Além de tudo que já foi falado, o solo rico em pedras - e acredito com minerais - pode ter dado um diferencial para esse café campeão do Sul de Minas, acima de 88 pontos", explica.

A propriedade participa do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) desde 2023. O responsável pelo atendimento é o técnico de campo e engenheiro agrônomo, Liniker Rafael Rodrigues, que explica que a propriedade passa por um período de renovação de lavouras com a troca por variedades mais resistentes e adaptáveis, com a finalidade de melhorar a produtividade. Além das características da fazenda e dos tratos culturais, ele atribui os bons resultados à dedicação dos funcionários. "Eles são muito caprichosos, detalhistas com a colheita, com as pós-colheita e com isso conseguem produzir cafés da mais alta qualidade".