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Situação do leite leva à diversificação de atividades

JORNAL EM CAMPO
ESCRITO POR MARIANA GRAPIÚNA, DE ARAÇUAÍ
20/03/2026 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR, INAES, FAEMG

Produtor integra leite e agroindústria a pecuária de corte e floresta

A crise persistente no setor leiteiro brasileiro tem pressionado produtores em todo o país. A combinação entre baixa rentabilidade, aumento dos custos de produção e concorrência de produtos importados tem reduzido margens e ampliado a insegurança dentro da porteira. Mas, para muitos produtores, a resposta não tem sido abandonar a atividade e sim diversificar. Essa foi a estratégia de José Alves dos Santos, de Joaíma, produtor cuja queijaria foi a primeira em todo o estado a obter o registro de inspeção sanitária para comercializar o “Queijo Artesanal Cabacinha do Vale do Jequitinhonha”.

ATeG foi aliado do produtor tanto na agroindústria quanto na pecuária de corte

Em vez de desistir do leite, ele ampliou horizontes dentro da própria propriedade, integrando a pecuária leiteira e a agroindústria à pecuária de corte e floresta. "A integração entre atividades cria equilíbrio e reduz a dependência de um único mercado", frisou. Para ele, diversificar não significa abandonar o leite, mas fortalecer o conjunto da propriedade. A lógica é clara: trabalhar com diferentes ciclos produtivos para reduzir riscos e aumentar a estabilidade financeira. “A gente não trabalha só com crise. A gente trabalha com ciclo, Tem fase boa e tem fase difícil. Quem sobrevive é quem planeja. A pecuária de corte também tem ciclo, a floresta e a agroindústria tem ciclo. Então a gente tem que pensar a longo prazo, quatro, cinco anos. Não dá para olhar só o momento", explicou.

Uma das principais mudanças na propriedade foi a divisão estratégica das pastagens. A área, antes com poucas divisões para corte, passa por um processo de reorganização para implantação de módulos menores, permitindo o manejo rotacionado do gado. A iniciativa incluiu a implantação de cerca elétrica — solução de menor custo, e planejamento para utilização de energia solar em áreas sem acesso à rede elétrica. O impacto é direto na produtividade. “Quando eu tinha uma área de 70 hectares com apenas três divisões para leite, a produção era uma. Quando passei para oito divisões, dobrei a produção. A ideia agora é dobrar novamente com mais subdivisões e manejo bem feito", analisou.

Mesmo em um cenário de crise, o produtor defende que investir é necessário, desde que com estratégia e controle de custos. “Não adianta pensar em diversificar e não investir. Mas a gente busca sempre o menor custo possível".

Assistência técnica como diferencial

Outro ponto destacado por José Alves é a importância do suporte técnico no processo de transformação da propriedade. “Confesso que sozinho eu não teria coragem de implantar tudo isso. Eu pensava em dividir as pastagens há mais de dez anos e nunca fazia. Com o técnico ao lado, você coloca prazo, organiza e executa".

A primeira experiência foi na agroindústria dentro da propriedade. O queijo, que antes era vendido de forma artesanal e sem embalagem, passou a ser padronizado, embalado e certificado. “Isso só aconteceu porque teve orientação e apoio de instituições como o Senar. É a mesma coisa na pecuária de corte: buscar intensificação, buscar qualificação, melhorar sempre".

Segundo o técnico de campo do ATeG Pecuária de Corte, João Marcos Otoni, no campo a sustentabilidade econômica não depende apenas de enfrentar crises, mas de construir sistemas produtivos mais resilientes. "A diversificação tem se mostrado um caminho viável para garantir permanência, produtividade e rentabilidade", acrescentou.

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