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Renata Teixeira: da sucessão familiar à liderança do agro

PROTAGONISMO FEMININO
ESCRITO POR LETÍCIA RODRIGUES, DE PATOS DE MINAS
20/03/2026 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR, INAES, FAEMG

Produtora rural e liderança do setor agropecuário, Renata Teixeira construiu sua trajetória conciliando a gestão da propriedade da família com a atuação institucional em defesa dos produtores rurais. Em seu segundo mandato como presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Lagoa Grande, ela também ocupa o cargo de vice-presidente do Sistema Faemg Senar.

Filha de produtor de leite, Renata passou pelo processo de sucessão familiar, assumiu a gestão da fazenda e transformou a propriedade com investimentos em bem-estar animal e melhoria genética do rebanho. Hoje a fazenda produz cerca de 10 mil litros de leite por dia, com um sistema moderno de produção.

Ao mesmo tempo em que conduz a atividade rural, Renata atua na representação dos produtores em um momento desafiador para a cadeia leiteira. A crise enfrentada pelo setor, agravada pela importação de leite e pela queda nos preços pagos ao produtor, tem impactado pequenas propriedades da região.

Nesta entrevista, ela fala sobre a sua trajetória no agro, os desafios da liderança feminina e o trabalho à frente do Sindicato Rural e do Sistema Faemg Senar.

Como começou sua trajetória na agropecuária?

Meu pai é produtor de leite há mais de 50 anos e eu cresci na fazenda. Em 2006, me formei em Medicina Veterinária e voltei para ajudá-lo na propriedade. No início enfrentei preconceito, pois a maioria dos profissionais da área era de homens. Muitas vezes precisei explicar que estava ali para atender os animais. Com o tempo, assumi também a gestão da fazenda e iniciamos um processo de modernização da produção.

E no Sindicato Rural, como teve início a sua participação?

Assim que voltei para Lagoa Grande, me associei ao sindicato e passei a participar das atividades. Depois fui convidada para integrar a diretoria e, dois mandatos atrás, disputei a presidência. Fui eleita e me tornei a primeira mulher presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Lagoa Grande. Atualmente finalizo meu segundo mandato. Nossa região possui uma bacia leiteira forte, por isso realizamos capacitações técnicas e palestras sobre gestão para que o produtor possa ter controle sobre sua produção e reduzir custos. Também promovemos ações de sustentabilidade e o projeto Agro na Escola, que mostra às crianças a importância do agro.

Também vice-presidente da Faemg, como avalia a participação feminina em espaços de liderança?

Depois de atuar como suplente em nosso primeiro mandato, fui convidada para assumir como vice-presidente titular. É muito importante termos mulheres dentro do Sistema Faemg Senar, reconhecido em todo o Brasil pela sua atuação em defesa do produtor rural. Como mulher, estar à frente do Sindicato e da Faemg, além de outros cargos no agronegócio, não é apenas ocupar um cargo de liderança. É uma responsabilidade histórica. O agro ainda é predominantemente masculino e, quando uma mulher assume liderança, ajuda a quebrar paradigmas. A presença feminina contribui em temas como sucessão familiar e gestão de pessoas. Programas como o Faemg Mulher também incentivam essa participação.

Você é líder sindical em uma região que tem uma forte bacia leiteira. Qual tem sido o impacto da crise do leite?

Estamos vivendo um dos momentos mais difíceis da atividade. Nos últimos anos, a importação de leite tem batido recordes e isso impacta Minas Gerais, onde muitos produtores são pequenos e médios. Muitos estão deixando a atividade, que tem grande relevância econômica e social nas pequenas cidades. Na nossa região, isso gera um impacto enorme, porque o leite gera empregos e movimenta a indústria em nossa região. Para auxiliar os produtores, temos promovido capacitações e alternativas de apoio. Em alguns casos, trabalhamos para que o próprio Município possa comprar o leite desses produtores. Mesmo assim, o momento é desafiador, com juros altos e dificuldades para manter a atividade.

São muitas responsabilidades. Como conciliar todos esses papéis?

Sou mãe, esposa, produtora de leite, de corte e de grãos, presidente de sindicato, vice-presidente da Faemg e faço parte da Comissão Faemg Mulher. Conciliar tudo nem sempre é fácil. Mesmo assim, acredito que as mulheres precisam assumir seu posicionamento como líderes e produtoras, buscar cargos de liderança e mostrar que são capazes.

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