Receio de clima atípico leva produtores a fracionar vendas ao longo do ano
A volatilidade do mercado do café tem levado produtores do Sudoeste de Minas a rever a estratégia de comercialização. O receio de não ter produção suficiente para cumprir contratos futuros, diante de condições climáticas atípicas, tem motivado vendas escalonadas ao longo do ano. A medida busca reduzir riscos ligados à incerteza produtiva e garantir maior segurança na formação da receita.

A técnica de campo Fabiola Chaves explica que o custo médio por saca fica entre R$ 720 e R$ 780 em sistemas eficientes, podendo superar R$ 950 em lavouras menos produtivas. Nesse contexto, a orientação é comercializar parte da produção para cobrir despesas e distribuir as negociações ao longo do ano, formando um preço médio mais seguro.
O produtor Alessandro Sherme Vieira ressalta que o desafio não é apenas o preço, mas a incerteza produtiva causada pelos riscos climáticos. Segundo ele, o mercado atual está bastante volátil e altamente reativo a fatores como notícias globais e condições climáticas.
“Diante de estoques reduzidos e demanda crescente, é comum observar variações expressivas em curtos períodos. Em alguns momentos, o preço da saca pode oscilar cerca de R$ 250 em apenas 2 a 3 dias — valor que, no passado, representava praticamente o preço total da saca. Esse cenário aumenta a incerteza e faz com que o produtor postergue a venda na expectativa de melhores oportunidades, mesmo diante dos riscos de retração do mercado”, ressalta.