Pioneirismo faz da propriedade em Valadares referência para profissionais do setor
Pouco mais de um ano depois do plantio dos primeiros pés de café conilon no Vale do Rio Doce, a lavoura evoluiu e a florada sinaliza que a colheita de 2027 pode surpreender. Enquanto a plantação responde bem ao manejo, a satisfação dos produtores pelo Projeto Leite com Café só cresce. Lançada em outubro de 2025, a iniciativa tem como finalidade introduzir a produção de café em propriedades leiteiras para diversificar a fonte de renda.

Pioneiro no estado, o projeto foi implementado em Governador Valadares, em parceria com o Sindicato dos Produtores Rurais do município. O café foi plantado em uma área de dois hectares, antes utilizada como pastagem pelos produtores José Evaristo Rodrigues e Leandro Rodrigues Júnior. A produção de leite na propriedade vem dos avós de Leandro, que saiu do sítio e depois retornou para dar continuidade à atividade.

A adaptação à nova dinâmica da propriedade, difícil no início para pai e filho, deu lugar ao entusiasmo de fazer parte do projeto e começar a diversificar a produção. “Um dos diferenciais deste projeto é que ele foi bem-planejado antes começar. E, sozinho, é mais difícil de seguir, mas aqui recebo o técnico do ATeG uma vez por mês. Ele me mantém orientado e tira todas as minhas dúvidas. Aos poucos a gente vai aprendendo. É gratificante ver o nosso esforço e trabalho dando certo”, contou Leandro.
Para o produtor, inserir a cafeicultura na propriedade mostrou-se uma estratégia interessante para ser associada à rotina da atividade leiteira. “A cafeicultura deu certo para mim. Tem como colher e armazenar, não preciso sair da propriedade para comercializar. Para quem quer diversificar, aconselho a procurar o Sistema Faemg Senar e o Sindicato Rural para conhecer e tirar as dúvidas. Estou muito satisfeito com o resultado”.
Tratamento da lavoura

A aposta na região ocorreu porque a área era favorável à cultura, mas não havia uma referência na região para balizar como seria o desenvolvimento da lavoura. Por isso, o trabalho é conduzido com muito zelo: as orientações do técnico de campo Jhone Marques e do supervisor Sebastião Brinate passam pelo manejo rigoroso do solo e de pragas e doenças, além de adubação feita totalmente por fertirrigação.

Em uma área de dois hectares, são 17 clones de café canéfora (conilon e robusta). Os clones precoces já abriram florada, o que gerou expectativa sobre o futuro da lavoura.


“Nosso trabalho é voltado para obter altas produtividades e tem nos surpreendido muito o desenvolvimento das plantas, que têm respondido muito além do esperado aos tratamentos de nutrição, irrigação e ao microclima da região. A gente espera trabalhar com uma produtividade de 100 sacas por hectare, com 22 meses aproximadamente”, explicou o supervisor Sebastião Brinate.
Projeto é referência no estado


O Projeto Leite com Café já demonstra o potencial produtivo do conilon no Vale do Rio Doce e se tornou referência. A propriedade já recebeu produtores e técnicos de campo em encontros, Dias de Campo e visitas técnicas.
Os resultados também despertaram o interesse de produtores vizinhos. Alguns vão à propriedade para conhecer a lavoura, outros já iniciaram o plantio de conilon, influenciados pela experiência de José Evaristo e Leandro.