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Arábica sustentável e canéfora campeão são destaques de outubro

MEU CAFÉ NO SISTEMA FAEMG SENAR
ESCRITO POR LÍLIAN MOURA E DIEGO SOUZA, DAS REGIONAIS DE VIÇOSA E GOVERNADOR VALADARES
23/10/2026 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR

Premiados no último Cupping estão no Meu Café no Sistema Faemg de outubro

A preservação do solo, da água e da biodiversidade rendem cafés de excelência, como mostra o Cupping do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Café+Forte, do Sistema Faemg Senar. Além da qualidade, o concurso passou a valorizar o manejo regenerativo.  

Em 2025, o cafeicultor Éder Cateringer, de Manhumirim, nas Matas de Minas, 2º lugar na categoria natural do café arábica, foi o destaque na produção regenerativa. Ele conta que decidiu se dedicar exclusivamente ao café em 2020. Formado  em Direito e atuando na área à época, voltou às origens familiares, especialmente inspirado pela avó, dona Rosa. “Ela sempre me levava para as lavouras quando eu era pequeno”, lembra.

Para seguir na produção, Éder foi além das memórias e das práticas convencionais da cafeicultura que conhecia e passou a investir na produção de cafés especiais com sustentabilidade. “Trabalhei em uma fazenda que ficava na qualidade e com áreas regenerativas e quis fazer o mesmo mas nossas lavouras”, contou.

A esposa, Açucena Cateringer, foi parceira na nova empreitada e grande incentivadora da atividade, que ganhou força com a chegada do Programa ATeG à propriedade em 2023. “Foi uma mudança de chave. Passamos a ter um olhar empresarial para o café. Com planejamento desde o manejo na hora certa até a administração e a gestão”, contou.

Éder explicou que o foco na produção sustentável ficou mais potente com o acompanhamento do técnico de campo Danilo Mendes. Atualmente, cerca de 40% da produção de cafés especiais já segue os moldes orgânicos e regenerativos. Na prática, isso significa manejo biológico de pragas, zero uso de defensivos agrícolas nas áreas preservadas, manutenção de árvores nativas, uso de caixas de retenção de água e a recuperação de solos degradados.

O modelo de produção e a qualidade do café rendeu ao produtor o 2º lugar na categoria natural e o destaque do concurso na produção com técnicas de manejo regenerativo no Cupping ATeG em 2025. Os títulos não foram os primeiros conquistados pelo casal. Eles foram campeões municipais dos concursos de 2023 e 2024 em Manhumirim. "A gente sempre busca inovação e conhecimento para melhorar o nosso ecossistema dentro da nossa cafeicultura e ver o trabalho reconhecido é gratificante", ressalta o produtor.

Ele reconhece que o ATeG é parte elementar no avanço do negócio. “O cafeicultor que participa do programa não sai igual entrou. Sempre melhora! Nós aproveitamos todas as oportunidades que o Sistema Faemg Senar nos proporciona", contou.

Evolução constante

Segundo o técnico de campo Danilo Mendes, quando o ATeG Café+Forte começou, o casal cultivava 0,52 hectare de café. Com o apoio do programa, ampliou a área produtiva para 5,35 hectares, utilizando novas áreas por meio de parcerias agrícolas e terras da família. Um novo plantio de 0,6 hectare está previsto para o final de 2026.

A expansão foi acompanhada pela renovação das lavouras e introdução de variedades com potencial produtivo e de qualidade. Atualmente, mais de 80% da produção é comercializada como café especial, com maior valor agregado, e alguns talhões já ultrapassam 50 sacas por hectare.

Para Danilo, o ATeG foi fundamental no acompanhamento dos indicadores gerenciais e na tomada de decisões, ajudando o casal a identificar oportunidades de crescimento. É um processo de crescimento contínuo. “A cada safra, conseguimos planejar a renovação de parte das lavouras para manter áreas produtivas e garantir maior lucratividade ao produtor”, concluiu.

Mercado

Éder contou que há compradores que valorizam a cafeicultura regenerativa e buscam pela produção orgânica, especialmente cafeterias. Ele ainda explica que o modelo de produção exige uma dedicação operacional diferenciada, com o dobro de intervenções anuais na lavoura, o que justifica o maior valor de venda do produto.

A aposta agroecológica e sustentável abriu portas em um mercado novo e deu vida à marca do casal de cafés especiais Bonfim, comercializado pela internet, em feiras regionais e grandes eventos como a Semana Internacional do Café (SIC).

Neste mês, o café de Éder integra o projeto Meu Café no Sistema Faemg, que incentiva o consumo e a apreciação dos sabores produzidos em Minas. Outro destaque do mês de outubro é o café canéfora de outro premiado do Cupping, Jurandir Souza.

Valorização do café

Há 20 anos na cafeicultura, o produtor rural de Taparuba, nas Montanhas de Minas, encontrou na assistência técnica e gerencial do Sistema Faemg Senar apoio para aprimorar seus conhecimentos e fortalecer a produção.

O produtor ressalta que a qualidade depende de cuidados diários, especialmente no pós-colheita. “Para produzir café bom, é preciso não deixar o produto no mato, mofando dentro do saco. É preciso tirar todos os dias, secar ao sol, em cima de lona, e não deixar tomar chuva. O processo exige trabalho e acompanhamento constante, mas é uma etapa importante para preservar a qualidade do café”, explicou.

Campeão na categoria Conilon do Cupping 2025 do ATeG Café+Forte, ele faz do café sua principal fonte de renda e destaca a importância do acompanhamento recebido. “Esse tipo de premiação valoriza não apenas o meu café, mas também o esforço de todos os cafeicultores aqui da nossa região que trabalham duro, investem tempo e dedicação para tentar produzir melhor”, contou.

Para Jurandir, ampliar as oportunidades de comercialização e valorizar a qualidade são passos importantes para o futuro da atividade. “Embora esse reconhecimento ainda não tenha se traduzido diretamente em melhores preços de venda, eu creio que a valorização dos cafés especiais pode melhorar e abrir caminhos para o desenvolvimento da atividade, além de aumentar as oportunidades de comércio”, afirma o produtor.