Com a assistência do ATeG e união dos produtores, a renda total ultrapassou, em 2025, R$1,7 bilhão e a expectativa é de crescimento também em 2026
No sítio de Victor Abrantes, em Tocantins, na Zona da Mata, os pés de mexerica ponkan já estão carregados. A colheita começa em abril e a expectativa é que a safra deste ano seja até três vezes maior que no ano passado, podendo chegar a 3 mil toneladas no município.
Victor faz parte do grupo de 30 produtores atendidos pelo programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), oferecido gratuitamente por meio do Sindicato Rural de Tocantins. O técnico de campo Gil Pedro Lara visita as propriedades uma vez por mês e orienta os produtores sobre questões técnicas, de gestão e de planejamento. O acompanhamento começou há dois anos e os resultados são visíveis.

“Eu observo uma melhora muito grande no controle do mato, adubação e pulverização. Os produtores passaram a utilizar mais o calcário e adubos com fonte de cálcio, o que resulta em frutos com mais qualidade”, afirma Gil. No total, a renda do grupo passou de R$ 1,378 milhão em 2024 para R$ 1,706 milhão em 2025, crescimento de aproximadamente 23,8%, mesmo com uma produção menor - caiu de 989 mil quilos para 880 mil quilos, variação considerada normal no cultura de mexerica.
Por causa da melhoria na qualidade, as ponkans de Tocantins entraram no radar de uma grande cooperativa de abrangência nacional. No ano passado, os produtores fecharam contrato com a União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) e forneceram cerca de 7 mil caixas da fruta. Além da venda volumosa, outros dois fatores foram vantajosos: enquanto no Ceasa o quilo era vendido a R$ 1,39, para a Unicafes o valor foi de R$ 2,50/kg e a cooperativa ainda dá preferência para os frutos menores, que não têm muita aceitação no mercado, mas são preferidas para os estudantes de escolas públicas que recebem a merenda pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Para este ano, a estimativa é de uma venda de mais de dez mil caixas, a R$ 2,60/kg.
Essa negociação só foi possível devido à retomada das atividades da Associação de Produtores Rurais de Tocantins (Asprut). Victor é o atual presidente e foi quem mobilizou os colegas mostrando os benefícios que o trabalho conjunto oferece, como compra coletiva de insumos, assistência técnica e venda para grandes instituições. “Para este ano, conseguimos mais que dobrar o número de produtores na venda para a Unicafes - de 23 para 54 - e pretendemos chegar a 20 mil quilos, com isso, vendemos a fruta média com valor agregado e valorizamos também a fruta grande”, explica Victor.
A colheita da ponkan vai de abril a agosto, com o pico no mês de junho.