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Minas tem nas árvores potência para crescer

JORNAL EM CAMPO
ESCRITO POR NATHALIE GUIMARÃES, DE BELO HORIZONTE
14/09/2026 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR, FAEMG

Demanda por madeira e fontes renováveis abre oportunidades para o setor
 
A experiência de Adriana Maugeri com sustentabilidade, relações institucionais e negociações complexas ajudou a construir uma trajetória que hoje a coloca à frente da Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF).

Da posição de quem acompanha de perto uma cadeia presente em 94% dos municípios mineiros, Adriana enxerga nas florestas plantadas uma combinação de desenvolvimento econômico, conservação ambiental, tecnologia e geração de oportunidades. Para ela, Minas reúne vocação produtiva, conhecimento e condições para ampliar ainda mais sua liderança no setor, especialmente diante do crescimento da demanda por madeira e produtos renováveis.

Adriana Maugeri: ‘Os pequenos e os médios produtores precisam de estímulo e de segurança jurídica.’


 
Nesta entrevista ao Jornal Em Campo, Adriana fala sobre sua trajetória, a importância econômica e ambiental da atividade, as perspectivas de novos mercados e defende políticas para a expansão da cadeia, que também abra espaço para pequenos e médios produtores.
 
Como começou sua relação com o setor florestal?
 
Estou no setor há aproximadamente 20 anos, antes trabalhava no setor elétrico. Tenho formação em Comunicação Social e Direito. Comecei no Espírito Santo e na Bahia, com sustentabilidade, evoluindo para relações institucionais e governamentais. Foi uma paixão à primeira vista. Quanto mais conhecemos as possibilidades da madeira, da cobertura verde e dos serviços ambientais e sociais, mais nos apaixonamos pelo setor. Hoje, em Minas, nós somos a maior cultura agrícola e, ao mesmo tempo, a atividade econômica que mais conserva vegetação nativa.
 
O que explica a liderança de Minas nas florestas plantadas?
 
Estamos presentes em 94% dos municípios. Nenhuma outra cultura agrícola tem essa capilaridade em todas as regiões e com todos os perfis de produção. Temos diferentes solos, climas e relevos, além da posição central de Minas e de uma infraestrutura que permite atender importantes mercados consumidores. Muita gente fala que a expansão do setor foi somente devido à siderurgia para a produção de carvão vegetal. Acho que isso foi uma alavanca. Falo muito que o mineiro é comedor de pão de queijo, tomador de café e plantador de árvore.
 
Qual é a dimensão da cadeia produtiva hoje e quais as oportunidades de crescimento?
 
A madeira está muito mais presente no nosso cotidiano do que as pessoas imaginam. Está nos móveis, pisos, painéis, papéis, fraldas, tecidos, tintas, medicamentos e em uma infinidade de produtos. Ao mesmo tempo, é um dos materiais mais desejados dentro da transição energética. Indústrias que utilizavam fontes não renováveis estão buscando alternativas renováveis, e essa demanda tende a crescer. A madeira é uma usina de carbono. Tudo o que se faz com o petróleo pode ser feito com a madeira, de formas diferentes.
 
Como o setor contribui para geração de renda e desenvolvimento dos municípios?
 
A atividade movimenta as economias locais e cria oportunidades para que as pessoas permaneçam em seus municípios. Por isso, precisamos de políticas públicas que estimulem a produção, principalmente entre pequenos e médios produtores. Eles precisam de segurança jurídica, como as grandes empresas, mas também de estímulos para produzir e melhores condições para comercializar.
 
Produção florestal e conservação ambiental caminham juntas?
 
As áreas produtivas e conservadas são plantadas intercaladas em mosaico, com benefícios para solo, recursos hídricos e biodiversidade. Esse plantio consorciado melhora a produtividade, a qualidade de solo e a fixação do carbono no solo. E quanto mais madeira legal, rastreável e bem manejada colocamos no mercado, mais protegemos as florestas nativas.
 
Como você enxerga o futuro da atividade?
 
Acredito que a cadeia vai se expandir com o aumento da demanda. Vamos ter uma maior busca por bioprodutos. Nos próximos anos, vamos enxergar ainda mais o potencial de geração de energia em uma árvore de uma floresta plantada. Uma fonte de energia verde que se renova e pode ter diversos usos, além de ser um imenso potencial de crédito de carbono. Mas precisamos pensar em quem produz, dando segurança e acesso às tecnologias.