Propriedade foi atendida pelo ATeG e quase dobrou a produtividade
O cenário de pés de café carregados de grãos sadios e granados é sinal de colheita boa à vista e de que o trabalho foi bem-feito ao longo do ano. Esse é o visual da Fazenda Capetinga, que fica em Campos Gerais, município do Sul do estado, que está entre os cinco maiores produtores de café do país.
A expectativa para a safra atual é boa, mas nem sempre foi assim, segundo o relato dos donos da propriedade, Maria Aparecida e seus filhos Bruno Diniz e César Diniz, que assumiram a fazenda da família após a morte do pai. Eles perceberam que precisavam de ajuda e, por isso, buscaram cursos do Senar e o Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Café+Forte, que iniciaram em 2023, com o técnico de campo Rafael Oliveira.

“O cenário era totalmente diferente. O produtor tinha um problema sério com mato, assim, identifiquei os gargalos e adotamos um manejo de poda em torno de 70% de toda a propriedade. Dois anos depois, eles quase dobraram a produtividade, de 24 para 45 sacas por hectare, e quase triplicaram a receita total bruta”, explica o técnico.
Em entrevista ao Em Campo, um dos irmãos, o produtor rural Bruno Diniz, conta mais detalhes dessa história, que mostra que a junção da sucessão familiar e do ATeG gera bons resultados no campo.
Como a família iniciou a produção de café?
Tudo começou quando o meu pai adquiriu a primeira propriedade, na década de 90. De lá para cá, ele, com a ajuda de seus funcionários, foram plantando as lavouras. Na época do meu pai, eu e meu irmão ajudávamos no que podíamos, mas, com algumas limitações na parte administrativa, porque quem gerenciava era o meu pai. Ele faleceu há dois anos, então eu e meu irmão começamos a tocar a propriedade.
Qual era a realidade da propriedade, no passado?
Embora o meu pai tenha sido um excelente administrador e um grande cafeicultor, após a morte dele, nós notamos que tínhamos muitas dificuldades e muitos desafios para serem vencidos. Naquela época, as lavouras se encontravam em uma situação muito crítica, tanto na questão de desbrota, manejo de mato e muito cipó.
Como foi a sucessão familiar? Quando perceberam que precisavam de apoio técnico?
Com a morte do meu pai, nós nos damos conta que era necessário um auxílio. Então, buscamos o Senar, primeiro o Programa Gestão com Qualidade em Campo - GQC, depois ingressamos no Programa ATeG. Isso foi fundamental para que nós implementássemos técnicas de gestão. Foi no GQC em que começamos a colher as primeiras informações da propriedade, a quantidade de pés de café, os talhões, as variedades. Até aquele momento, não tínhamos dados.
Com o auxílio do técnico de campo do ATeG, nós conseguimos minimizar essa situação. E, agora, estamos com um manejo muito controlado de mato, com as desbrotas em dia, as lavouras com uma arquitetura bacana. Vimos que os resultados na propriedade começaram a mudar: desde a parte do manejo, planejamento de adubação, do gerenciamento de pessoas, tudo isso influenciou para chegar aonde estamos hoje.
O que mudou depois do ATeG?
Todo esse trabalho que tivemos aqui, nesses anos, possibilitou que a gente adquirisse implementos e trator, recapeasse os terreiros e reformasse a nossa casa. Tudo isso gerou muita união entre o meu irmão, a minha mãe e eu. Surgiu uma parceria forte com o meu irmão, a gente conversa mais, debate ideias. Isso tudo, em conjunto, acabou gerando muitos resultados positivos na nossa família.
Hoje, estamos muito satisfeitos com tudo que a gente conseguiu conquistar, e o suporte técnico eficiente do programa do Senar fez com que tudo isso se concretizasse. Para o futuro, espero que possamos superar os desafios de renovação de lavouras, de implementação de novas variedades e até aquisição de novas áreas.