
A chuva não dá trégua no Sul de Minas e afeta lavouras de café da região. Se no início do ano, as precipitações foram benéficas para o enchimento dos grãos, agora é motivo de alerta. O excesso de umidade tem favorecido o aparecimento de doenças causadas por fungos e bactérias.
Segundo a Fundação Procafé, entidade de pesquisa que faz a medição do índice pluviométrico na Fazenda Experimental de Varginha, choveu 306 milímetros apenas em janeiro; em fevereiro, até o momento, choveu 106 milímetros, no município. O volume pluviométrico de janeiro é superior ao da média histórica, acompanhada pela entidade desde 1974. Porém, o acumulado não é recorde para o mês, que já registrou números mais elevados em anos anteriores.
De acordo com o engenheiro agrônomo e supervisor do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), do Sistema Faemg Senar, Guilherme Ferreira Marques, a característica do período chuvoso de 2026 tem sido a distribuição das chuvas, ao longo de vários dias, praticamente, sem intervalo. “As condições climáticas não estão permitindo que o produtor faça o manejo da lavoura, que era previsto para este momento, tanto pra quem faz de forma mecanizada quanto para quem faz de forma manual, porque está difícil até para chegar nas lavouras, seja a pé ou de trator. Além disso, é necessário ter um período de estiagem para fazer trabalhos como o de pulverização” explica.
A combinação de manejo em atraso, temperaturas oscilando entre baixas e médias e a alta umidade cria-se o cenário para o aparecimento de doenças fúngicas, como a Phoma, a Ferrugem e a Cercóspora; além da doença bacteriana Mancha Aureolada. Situação que já atinge lavouras do Sul e do Centro-Oeste de Minas Gerais. Ainda segundo Guilherme Marques, que supervisiona os técnicos do ATeG, que atendem cerca de 400 propriedades em 12 municípios, a incidência de sinais dessas doenças chega a 70% das propriedades, nessa área.

Os sinais iniciaram nos últimos 15 dias e causam preocupação pelas suas consequências. Entre elas, a Ferrugem que deixa manchas alaranjadas nas folhas e faz com que elas caiam. A desfolha precoce reduz a fotossíntese, em consequência, diminui a energia para a planta e deixa o fruto exposto. Já a Phoma deixa as folhas retorcidas e seca os ponteiros dos galhos.
Em outra parte do Sul do estado, na microrregião da Mantiqueira de Minas, a situação é parecida. Segundo Leandro de Freitas Santos, supervisor do ATeG em uma área de 450 propriedades, em 15 municípios, a incidência de sinais de Phoma atinge 60% e da Ferrugem 30% das propriedades nessa área. Para o especialista, o momento é de alerta para os produtores.

“Esse cenário reforça a importância do monitoramento constante das lavouras e da adoção de manejos fitossanitários adequados e no momento correto. A tomada de decisão é fundamental para evitar a evolução das doenças e reduzir possíveis perdas. O momento é de atenção redobrada, de avaliar as áreas com critério técnico, ajustar o manejo e agir preventivamente pode fazer a diferença para garantir a sanidade das lavouras. Apesar da preocupação, ainda é cedo para prever os impactos,” alerta Leandro.