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Agro mineiro alcança marca histórica

RECORDE
ESCRITO POR FERNANDA TEIXEIRA, DE BELO HORIZONTE
03/07/2026 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR, INAES, FAEMG

 

PIB do setor alcançou o recorde histórico de R$ 279 bilhões em 2025, passando a representar 24,1% de toda a economia de Minas Gerais

Após anunciar que o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio mineiro alcançou o recorde histórico de R$ 279 bilhões em 2025, passando a representar 24,1% da economia de Minas Gerais, o Sistema Faemg Senar reuniu a imprensa, nesta sexta-feira (3/7), em Belo Horizonte, para uma apresentação técnica dos resultados. A coletiva contou com a participação da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), da Fundação João Pinheiro (FJP) e da Associação Mineira da Indústria Florestal (Amif).

Segundo o presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo, o crescimento é resultado do trabalho dos produtores rurais, aliado à inovação, à adoção de novas tecnologias e a um ambiente que oferece segurança para investir. 

"Para continuarmos avançando, é fundamental que os próximos governos mantenham o diálogo com o setor, respeitem quem produz e garantam condições para que o campo siga crescendo. O Sistema Faemg Senar seguirá levando assistência técnica e gerencial, capacitação e inovação aos produtores de Minas Gerais", afirmou.

“Para continuarmos avançando, é fundamental que os próximos governos mantenham o diálogo, respeitem quem produz e garantam condições para que o campo siga crescendo”, Antônio de Salvo

Eficiência

De acordo com o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes, os números confirmam que o agro mineiro combina eficiência, sustentabilidade e competitividade. 

"Dos 17,7% de crescimento nominal do PIB do agro, cerca de 16 pontos percentuais foram impulsionados pela valorização dos produtos agropecuários. O crescimento em volume, de 1,7%, também superou o desempenho da economia estadual, que avançou 1,4%."

Minas Gerais ampliou sua presença no mercado internacional, exportando para mais de 165 países e registrando novos recordes nas vendas externas. Outro dado que reforça a importância do setor é que mais de 60% dos municípios mineiros têm a agropecuária e as florestas entre suas principais atividades econômicas, evidenciando o papel do agro na geração de emprego, renda e desenvolvimento regional.

Mudança estrutural

O pesquisador da Fundação João Pinheiro, Raimundo Leal, conduziu a apresentação técnica da pesquisa

Além dos resultados de 2025, a pesquisa identificou uma transformação estrutural na economia do agronegócio. A atualização da matriz de insumo-produto mostrou que a participação da produção primária dentro do complexo agroindustrial passou de 12,7% para 22,5%, refletindo mudanças na composição da atividade econômica.

Outro destaque foi o comportamento dos preços agrícolas. Segundo o pesquisador da Fundação João Pinheiro, Raimundo Leal, nos últimos seis anos, em cinco deles, os preços dos produtos do agronegócio evoluíram de forma mais favorável do que os preços do restante da economia. "Isso representa uma melhora importante nos termos de troca do setor e pode ser considerado um marco histórico para o agronegócio mineiro."

Destaques

O café foi o destaque entre os produtos que impulsionaram o desempenho do agro em 2025. Segundo o Cepea, a commodity registrou valorização média de 65,8% em relação ao ano anterior.

Também contribuíram para o resultado as altas nos preços do milho (13,3%), do suíno (11,5%), do tomate (22,9%) e do boi gordo (22,5%).

No campo da produção, a soja apresentou crescimento expressivo, passando de aproximadamente 7,7 milhões para 9,2 milhões de toneladas, enquanto a produção de milho avançou de cerca de 6,6 milhões para 7,1 milhões de toneladas.

O estudo também aponta que o fortalecimento dos encadeamentos produtivos, envolvendo agroindústria, transporte, armazenagem, comércio, serviços e crédito, contribuiu para ampliar a participação do agronegócio na economia estadual.

Plano Safra preocupa setor

Para o presidente Antônio de Salvo, o Plano Safra 2026/2027 ficou abaixo das necessidades da agropecuária brasileira e acende um alerta para o próximo ciclo produtivo já que o volume de recursos anunciado está distante da demanda do setor. "A agricultura brasileira precisa de cerca de R$ 1,3 trilhão para financiar uma safra. O governo anunciou R$ 525 bilhões e, no ano passado, nem todo o valor chegou efetivamente às agências bancárias."

Salvo também apontou como preocupações o custo elevado do crédito rural e a redução dos recursos destinados ao seguro rural. "O produtor enfrenta riscos climáticos cada vez maiores e precisa dessa proteção. Sem seguro, o crédito fica mais caro e aumenta a insegurança para produzir", afirmou.

Na avaliação do presidente, a combinação de crédito mais caro, menor oferta de recursos subsidiados e dificuldades de acesso ao financiamento pode comprometer a safra 2026/2027. "Muitos produtores já estão endividados e terão dificuldade para acessar o crédito. Sem recursos suficientes e sem seguro rural, a próxima safra corre riscos", concluiu.