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Piscicultura: negócio estratégico

JORNAL EM CAMPO
ESCRITO POR JÔ MOREIRA, DE SETE LAGOAS
10/06/2026 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR, FAEMG

Jovem produtor reposiciona produção por meio da verticalização e gestão

Minas Gerais avança na produção de tilápia e se firma como um dos principais polos do país, com destaque para Morada Nova de Minas, que reúne uma das maiores produções do estado e está entre os principais do Brasil.

Na Fazenda São Francisco, a piscicultura foi iniciada por Washington Luiz da Costa, mas foi só com a chegada da nova geração que a atividade mudou de ritmo, o que antes era complementar passou a ocupar um espaço estratégico dentro do negócio.

À frente da produção da Morada Fish, Rodrigo Tavares da Costa representa esse movimento de sucessão. Ele conduziu mudanças que reposicionaram a atividade, sem perder a essência construída pelo pai desde 2015.

Dentro da propriedade, a sucessão familiar foi determinante para esse novo momento da piscicultura

A operação ganhou escala com inovação e a parceria com outros dois produtores da região, resultando na criação de uma indústria de filés de tilápia e na verticalização da atividade, que permite o controle total da cadeia.

Com isso, a capacidade de processamento passou de cerca de três para 15 toneladas por dia em menos de quatro anos, tornando-se a maior indústria integrada com a produção do filé de tilápia em Minas Gerais.

Você assumiu em um momento desafiador. Quais foram os primeiros passos?
Quando eu assumi, a piscicultura ainda era uma atividade secundária. A mortalidade era alta e faltava controle. O primeiro passo foi organizar a base, entender os gargalos e tecnificar a produção, principalmente na fase inicial dos peixes.

O que você considera a virada de chave do negócio?
A verticalização. Quando deixamos de vender peixe e passamos a vender filé com marca própria, tudo mudou. Passamos a controlar a qualidade do início ao fim, agregando valor de verdade ao produto.

Como funciona a conexão entre piscicultura, agricultura e pecuária?
Aqui nada é isolado. A água da piscicultura, depois dos tanques, vai para decantação e é reaproveitada na irrigação das pastagens. Isso reduz muito o custo com fertilização. Os resíduos também são utilizados como adubo. É um sistema em que uma atividade fortalece a outra.

Muitos ainda veem a piscicultura com muita margem de risco. Qual é o erro mais comum?
Trabalhar sem planejamento e sem fazer conta. A piscicultura hoje exige tecnificação. Se não controlar sanidade, alimentação e ambiente, o risco de perda é grande. Tem gente que desiste logo no primeiro ciclo por falta de gestão desse conjunto.

Você buscou referências fora do setor para inovar. Como isso contribuiu para a operação?
Trouxemos práticas da avicultura, da indústria de alimentos e até de outros segmentos. Nosso túnel de congelamento, por exemplo, veio dessa adaptação. Inovar é ter a cabeça aberta para aprender com outros mercados.

Além da produção, hoje quais os principais desafios estruturais da região?
A logística é um grande gargalo. O transporte fluvial, que deveria facilitar, hoje tem limitações. Isso impacta o escoamento da produção e a chegada de insumos. Energia também ainda é um desafio.

Como a sucessão familiar influenciou no crescimento da atividade?
Eu entrei na piscicultura precisando evoluir e tive espaço para implementar mudanças. Hoje carrego a experiência do meu pai, e essa combinação de visão nova com base sólida fez muita diferença para o crescimento.

E olhando para frente, que legado você quer construir?
Mais do que volume, manter a referência em qualidade, em gestão e em respeito ao ambiente e às pessoas que trabalham nessa atividade, independente da etapa do processo.

Minas Gerais segue ampliando a produção, mas registrou importação. Como você vê esse cenário? 
Tem questões tributárias, econômicas envolvidas e esse cenário impacta a competitividade. O consumidor não diferencia origem, a tilápia importada vem com vantagens que a gente não tem e ainda traz riscos sanitários. Por isso, precisamos focar na qualidade e referência, rastreabilidade e valorização do produto nacional.

Como a união entre produtores contribui para fortalecer a região? 
Aqui na região, temos a Peixe MG (Associação de Aquicultores e Empresas Especializadas de MG), na qual sou vice-presidente, o Sindicato e o Sistema Faemg Senar, que nos ajudam muito em ações de representatividade e fortalecimento. Sem padrão e diálogo, o problema de um vira problema de todos.