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Produtores já atendidos tornam-se referência regional

PROGRAMA ATEG
ESCRITO POR RICARDO GUIMARÃES, DE MONTES CLAROS
23/02/2026 . SISTEMA FAEMG, SENAR

Nos últimos anos o curral também virou sala de aula na fazenda do produtor de leite Wemerson Ramon, em Monte Azul, no Norte de Minas. Atendido pelo Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) entre 2020 e 2022, ele tornou-se referência regional em produtividade e gestão e passou a receber visitas técnicas de outros produtores rurais, que estão iniciando a caminhada para a transformação dos negócios.

“Eu acho muito interessante trocar experiências. Quando a gente sai da porteira para fora, ou permite que produtores de outras regiões se insiram na nossa realidade, essa troca só traz benefícios. É uma satisfação servir de inspiração e exemplo para outros produtores errarem menos na atividade e saberem que é possível ganhar dinheiro no leite”, destaca o produtor.

As duas primeiras turmas de 2026 já passaram pela propriedade, a Fazenda 2W, em fevereiro. Mais de 20 produtores, que estão inseridos em novos grupos de ATeG, conheceram a estrutura do local. Por algumas horas, o produtor Wemerson Ramon tornou-se instrutor, mostrando o que foi feito na fazenda e os resultados alcançados. O foco da visita foi apresentar o sistema de pastejo rotacionado, as instalações de ordenha, o manejo de pasto e o uso de cana como suplementação alimentar para o período de seca.

Durante o ATeG, a produção de Wemerson atingiu 450 litros/dia e hoje, ainda seguindo as recomendações técnicas e de manejo do programa, chegou a aproximadamente 1.000 litros/dia. “Ainda uso algumas tecnologias que foram aprendidas na época do ATeG, como fazer análise de solo, saber o que é uma estrutura de rebanho, fazer dieta para os animais, melhoramento genético, etc. O programa me ajudou muito também nas planilhas, na parte de gestão da propriedade”, lembra Wemerson Ramon.

José Barbosa Filho, de Catuti, foi um dos produtores presentes na visita técnica. Atuando na atividade do leite há 20 anos, só nos últimos anos ele conseguiu iniciar o processo de profissionalização da fazenda, atuando com inseminação artificial, melhorando a opção de alimentação dos animais e manejo. Ele pretende usar os conhecimentos do ATeG junto ao que aprendeu na visita técnica para melhorar a média produtiva, em torno de 15 litros/dia.

“Quero atuar com pastejo rotacionado e fazer silagem. Na minha propriedade está começando a surgir as primeiras crias do gado de inseminação. Então, daqui pra frente, se Deus quiser, vai dar tudo certo. Eu vou fazer muitas coisas acontecerem, principalmente com a assistência técnica do Sistema Faemg Senar”, pontua.

Resultados na fruticultura

A propriedade de Rozanio de Sá, dentro do Projeto de Irrigação Jaíba, também passou a ser uma sala de aula a céu aberto. O produtor, que esteve nas primeiras turmas do Norte de Minas no ATeG Fruticultura, em 2020, é um dos exemplos quando o assunto é qualidade para exportação. Das 20 toneladas por hectare/ano, ele chegou em 38 toneladas em 2025, um incremento produtivo em quantidade e com qualidade.

“O Programa ATeG, principalmente aos pequenos produtores, nos deixa não só tecnificados, mas também preparados para fazer o melhor gerenciamento da propriedade. Eu produzo limão desde 2011, mas fazia gestão sem saber o que entrava e o que saia. Esse controle me ajudou a traçar o norte com mais qualidade, com mais profissionalismo”, relembra.

Os bons resultados atraíram vendas e também a atenção de outros produtores que também buscam sucesso na atividade. A história de sucesso do pequeno fruticultor, que transformou sua propriedade com gerenciamento e técnica, ganhou destaque.

“Já tive a oportunidade, por conta deste avanço produtivo, de receber produtores até de outras regiões, como do estado de Goiás, agentes do governo estadual e federal, além de estudantes de universidades, que querem conhecer um pouquinho da realidade da nossa região, conhecer a agricultura irrigada e como funciona uma área de produtores da agricultura familiar”, destaca Rozanio de Sá.