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Produtores de Ubá contabilizam os prejuízos

CHUVAS NA ZONA DA MATA
ESCRITO POR CARLA ARANTES, DE JUIZ DE FORA
05/03/2026 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR, INAES, FAEMG
De acordo com levantamento da prefeitura de Ubá, 31 pontes foram sido danificadas

Luiz Fernando olha com desgosto para a área onde há dez dias havia duas mil covas de banana. A chuva da noite de 23 de fevereiro encheu rapidamente o córrego Miragaia, que passa dentro da propriedade, e a força da água derrubou todo o bananal e outras plantações do produtor. “Encheu tudo, parecia um mar, e vinha forte como uma onda”, relembra. A técnica de campo Karina Soares, que atende Luiz Fernando pelo programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema Faemg Senar, também não esconde a tristeza ao ver a situação do sítio. “Luiz Fernando é um produtor muito empenhado. Em oito meses de trabalho conjunto, conseguimos mudar muita coisa. Quando cheguei aqui e vi que toda a adubação que fizemos, o estoque de nutrientes, tanto da banana, quanto do quiabo, jiló, foi tudo levado, é desolador”.

Karina voltou à propriedade nessa quarta-feira (4/3) junto com o gerente do Escritório Regional do Sistema Faemg Senar em Juiz de Fora, Emerson Simão, e o assistente de desenvolvimento rural do Sindicato de Produtores Rurais de Ubá, Everton Gonçalves. Luiz Fernando é um dos produtores rurais de Ubá atingidos pelas consequências da chuva na região. Em poucas horas, segundo a prefeitura municipal, choveu cerca de 91 milímetros. As propriedades às margens dos córregos Miragaia e Alfenas, que formam o rio Ubá, foram as que mais sofreram. A força da água levou plantações, expôs raízes, destruiu pontes de concreto e interditou vias. De acordo com um levantamento da prefeitura de Ubá, até quarta-feira, 31 pontes tinham sido danificadas. No total, 650 quilômetros de estradas deverão ser desobstruídos ou receber nova camada de cascalho.

Por causa das interdições, o escoamento da produção que foi possível aproveitar está dificultado. Em uma das pontes que foi levada pela chuva, moradores da região improvisaram uma pinguela, por onde só é possível passar a pé ou de moto. Os produtores, então, levam a colheita de carro até esse ponto do rio, atravessam com as caixas nas costas, e carregam a camionete do outro lado para levar até a cidade.

Messias Leôncio conta que a plantação de abobrinha, pepino, berinjela e pimentão foi toda embora com a água, além de algumas máquinas. O que colheu em outro pedaço de terra que não foi atingido, tem que atravessar dessa forma, contando com a ajuda dos amigos. Ele ainda não tem ideia de quanto foi o prejuízo, mas estima que havia cerca de quatro hectares plantados. “Graças a Deus, não teve casa destruída, só em duas que a água entrou, e os animais também não foram levados, mas o que tinha de horta foi embora com a chuva”.

Um dos amigos que ajudavam na travessia dos produtos de Messias era Bruno Romanholi, produtor de leite. Na fazenda dele, a chuva destruiu cercas, motor de irrigação, além dos prejuízos causados pela falta de energia elétrica. O escoamento dos 450 litros tirados por dia, que antes era feito por caminhão, agora tem que ser distribuído em tambores, em pequenas carretas. “Ainda não tivemos tempo de calcular as perdas. Meu avô tem 80 anos e disse que nunca viu uma enchente como essa na região”, conta o rapaz.

Dificuldade de comercialização

Outra dificuldade enfrentada pelos produtores rurais da região de Ubá é a falta de local para a comercialização dos produtos. O galpão no centro da cidade onde funcionava a feira livre municipal foi coberto de lama. Refrigeradores e mobiliário foram perdidos, além da dificuldade de acesso. Nessa quarta-feira (4/3), funcionários da prefeitura faziam a limpeza com um caminhão pipa, mas ainda não há previsão para retorno das atividades. Com as aulas nas escolas municipais e estaduais suspensas, as compras feitas pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) também ficaram sem destino. Por isso, a técnica de campo Karina Soares faz um apelo à população: “Vamos valorizar os produtos da região, dar prioridade para comprar de produtores locais”.

O gerente regional Emerson Simão informou, ainda, que o Sistema Faemg Senar e os sindicatos rurais estão empenhados na representação dos produtores afetados junto ao poder público e às instituições de crédito. “Vamos auxiliar aqueles que têm financiamento em aberto para negociar as dívidas da melhor forma e pedir a reconstrução das estruturas das pontes e dos acessos o mais rápido possível”. Num segundo momento, explica Emerson, a intenção é fortalecer os produtores com cursos e o apoio do ATeG para levar mais técnica e tecnologia a fim de aumentar a produtividade, primordial para a manutenção dos produtores no campo.