Em Ressaquinha, frutas que não são comercializadas viram geleia, licor, doces e até catchup
Minas Gerais é o maior produtor de morangos do país. Segundo dados do IBGE, em 2024, o estado foi responsável por 57% da produção nacional, com destaque para as regiões Sul e Campo das Vertentes. Contudo, os preços têm apresentado forte instabilidade, o que tem levado os produtores a buscarem alternativas.
Segundo a técnica de campo do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) de fruticultura Renata Viol, em anos anteriores a queda nos preços era gradual e acompanhava a oferta e a demanda, mas, nos últimos meses, foram registradas oscilações expressivas, mesmo diante de pequenas variações de volume do produto disponibilizado no mercado. “Tem dias que o preço chega a R$25 por caixa, enquanto, em outros, quando há um pequeno aumento de oferta, a caixa é vendida a R$12”, afirma.
Essa baixa previsibilidade afeta diretamente no planejamento e na gestão econômica das propriedades. Renata explica que o produtor tem dificuldade para estimar a receita e estipular estratégias de produção, o que coloca a atividade em risco.
Transformação
A família de Edneia Oliveira cultiva morangos há 15 anos em Ressaquinha. A propriedade tem duas estufas, cada uma com 5 mil plantas. Atualmente, a colheita gira em torno de 200 caixas por semana.

O morango in natura é vendido para o Ceasa, em Belo Horizonte. Parte da produção é congelada e comercializada para a indústria, mas com a importação de morangos, principalmente do Egito, essa negociação deixou de ser vantajosa.
Edneia é uma das atendidas do ATeG e foi com esse apoio na gestão do negócio que percebeu o quanto da produção era perdida, seja pelo amadurecimento ou pela venda abaixo do custo.
A agricultora, então, fez cursos do Senar, por meio do Sindicato Rural de Barbacena, de derivados de leite, produção de geleias e iogurtes, e começou a usar as frutas que não eram vendidas em novos produtos. “Transformação passou a ser uma forma de diminuir o desperdício, aproveitar a produção e criar uma nova fonte de renda para a família”, conta.
A nova atividade começou há apenas três meses. Como houve um grande investimento em equipamentos, ingredientes e embalagens, ainda não é possível falar em aumento no faturamento, mas com a boa receptividade da linha de produtos - que também agrega licor, doce de leite com morango e catchup de morango, Edneia aposta que o resultado será positivo. “O futuro do pequeno produtor não está em produzir mais, mas também em aproveitar melhor aquilo que já produz”, afirma.