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Gaúchos buscam em MG lições para a valorizar erva-mate

TROCA DE EXPERIÊNCIAS
ESCRITO POR JULIANA CAMPOS, DE VARGINHA
13/07/2026 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR, INAES, FAEMG

O cafezinho e o chimarrão têm algo em comum? Ambas são bebidas quentes, estimulantes e que fazem parte do ritual das manhãs de milhares de brasileiros. No entanto, quando o assunto é organização e consolidação de mercado, as duas cadeias produtivas vivem realidades bem distintas.

De olho no modelo de sucesso do café, um grupo de representantes do setor produtivo, da indústria e da pesquisa da erva-mate, do Rio Grande do Sul, viajou até Varginha, no Sul de Minas, para aprender sobre as estratégias que transformaram o café mineiro em uma potência mundial. A comitiva com 12 integrantes participou do curso de Classificação e Degustação do Café, no Centro de Excelência em Cafeicultura, realizado entre os dias 6 e 10 de julho.

A comitiva foi liderada pela Associação dos Produtores e Parceiros da Erva-Mate do Alto Taquari (APPEMAT), localizada em Ilópolis, onde está o maior polo ervateiro do Rio Grande do Sul. O presidente, Clóvis Romano, explicou que a erva-mate vive um momento complicado e que precisa de uma reestruturação, assim como ocorreu com o café no passado. “A qualificação, a qualidade dos produtos e das técnicas fazem a diferença e é o que nós buscamos aqui,” afirmou.

Padronização

A necessidade de padronização da cadeia da erva-mate é apontada como um desafio para o estado, segundo o engenheiro florestal da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul, Jackson Brilhante. “Precisamos avançar, por isso, viemos aprender como o café atingiu esse patamar e de que forma a Secretaria de Agricultura pode promover uma política pública para qualificar os sistemas de produção”, disse.

O assunto também é tema de pesquisas acadêmicas no estado gaúcho. A professora e pesquisadora do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rosângela Assis Jacques, explicou que estuda a erva-mate há anos e pretende levar amostras do café mineiro para fazer comparações. “Até o momento, sabemos que as principais semelhanças das duas bebidas são a cafeína, os polifenóis e a capacidade antioxidante,” analisou a pesquisadora que ajudou nas análises do pedido de Identificação Geográfica (IG) da região do Alto Taquari.

O processo de IG recebeu o apoio do Sebrae/RS. A gestora de projetos, Soraia Gerhardt, conta que junto com a Indicação Geográfica, eles buscam segmentar e buscar novos públicos. “A gente veio ao Sul de Minas com vontade de aprender um pouquinho sobre a valorização do café. Quais foram os diferenciais, os trabalhos e as articulações que fizeram a história do café, para que a gente possa implementar no nosso produto,” destacou.  

Produção da erva-mate

A erva-mate é cultivada em 173 municípios do Rio Grande do Sul, que no ano passado produziram quase 275 mil toneladas. De acordo com o gerente estadual de classificação e certificação da Emater/RS, Filipi Fagundes, a viagem foi uma oportunidade para entrar em contato com a cultura, o modo de cultivo e a arte de produzir cafés.

A indústria foi representada por Joel Gaio, dono da ‘Bueno Erva-Mate’, que produz 100 toneladas do chá, por mês. O empresário acredita que o setor precisa criar categorização para agregar valor aos produtos. “Hoje, a gente produz de maneira uniforme, mas, poderíamos trabalhar formatos para trazer sabores diferentes e oferecer possibilidades aos consumidores,” avaliou.

“Apesar de serem produtos muito diferentes, temos uma metodologia com etapas muito bem-organizadas e controles rígidos, seja no processo de torra, classificação ou degustação, que permitem buscar notas, como o caramelo, o chocolate, o frutado, o cítrico ou o avelã. Acredito que seja isso que eles estão buscando para a erva-mate,” concluiu o instrutor do Senar Minas, Roberto Luiz Gregatti.