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Casal revoluciona produção após quase desistir

ATEG BALDE CHEIO
ESCRITO POR ALINE FURTADO, DE JUIZ DE FORA
19/04/2021 . SENAR

Prestes a desistir da produção leiteira, o casal Nathalie de Souza Ferreira e Hemerson Haber Ferreira, de Juiz de Fora, viu tudo mudar ao começar a ser assistido pelo Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), promovido por meio da parceria entre o Sistema FAEMG/SENAR/INAES e o Sindicato dos Produtores Rurais de Juiz de Fora. 

“Antes do ATeG, estávamos muito desanimados. A propriedade estava literalmente nas mãos de um funcionário. Quando o Ronaldo chegou, ele nos mostrou que havia algo errado. Na verdade, nós já tínhamos constatado isso, mas não sabíamos como agir”, explicou Nathalie, referindo-se ao técnico Ronaldo Fagundes Filho, que atende o Sítio Santo Antônio desde julho de 2019.

“No início, faziam o pastejo rotacionado, mas não havia um controle exato da adubação. Assim, a altura de corte do pasto não era regular. A produção de volumoso não era suficiente para o período seco e, com isso, era necessário utilizar um volumoso de baixa qualidade nutricional”, detalhou Ronaldo.

A produção de leite ficava entre 90 e 100 litros por dia, com produtividade de nove litros por vaca, sendo dez em lactação em um total de 14 vacas. De acordo com o técnico, o custo do concentrado era alto, comprometendo 58% da renda bruta. Além disso, o casal tinha gastos com o funcionário e o custo operacional efetivo (COE) era de quase 80% da renda bruta. “Isso significa que quase não seria possível pagar as contas de produção, ficando inviável permanecer na atividade leiteira.”

Mudanças

Hoje, a produção média é de 200 litros por 14 vacas em lactação e 16 vacas no total, sendo, portanto, uma média diária de 14 litros por animal. Para alcançar esse número, uma das mudanças propostas pelo ATeG foi a melhoria da adubação dos piquetes do pastejo rotacionado, de forma a fornecer os nutrientes que faltavam no solo, com atenção à quantidade necessária. Com isso, foi possível aumentar a taxa de lotação por piquete. No cocho, as vacas recebem um trato com capim elefante picado, o que aumentou a ingestão de volumoso, resultando no aumento da produção diária. 

A fim de evitar a escassez de alimentos durante o período de seca, além do manejo da capineira, foram feitas correções no solo, buscando aumentar a fertilidade e, com isso, aumentar a produtividade do milho. “Baixa produção do milho e adubação sem análise de solo fizeram com que as vacas não respondessem na produção de leite. O impacto no custo do volumoso com a renda bruta foi de 30%. Feita a correção com calcário, adubação e sementes apropriadas para o plantio do milho para silagem, obtivemos aumento na produção durante o período da seca e conseguimos reduzir o custo com volumoso para 12%. Aqui, destaco que, hoje, o custo do milho é praticamente o mesmo que foi em 2019 e 2020, mas a qualidade fez com que as vacas aumentassem o leite e, com isso, diluíssem esse custo ainda mais”, destacou Ronaldo.

Com nutrição equilibrada e o COE caindo para 60%, a propriedade apresenta lucro e está beneficiando o produto. Todo o leite é beneficiado dentro da propriedade, com produção de queijo minas frescal, que é comercializado. Já o iogurte e o doce de leite são produzidos para consumo próprio. 

Expectativa

“A partir deste mês, nossa produção irá aumentar porque começaremos a utilizar a silagem e teremos mais animais em lactação. Acredito que, até julho, atingiremos o pico de produção, alcançando os 350 litros de leite por dia”, previu Nathalie. 

Com foco na qualidade do leite, o casal já investe em genética há um tempo. Atualmente, tem feito acasalamento dirigido porque, segundo a produtora, trabalhar com vários touros estava ficando complicado. “Focamos em direcionar nosso rebanho, buscando a qualidade do leite.”

Além disso, o casal conta com um contrato com um laboratório, que permite que eles façam, na propriedade, a análise de amostras. “Se uma vaca apresenta mastite, coleto a amostra, incubo e o laboratório aponta qual é a bactéria e qual deve ser o tratamento.”

Sucessão familiar

Quem trabalha com o casal na propriedade de cinco hectares é o filho Hugo de Souza Ferreira, que se formou em técnico em agropecuária na Escola Família Agrícola de Cruzília e optou por retornar e trabalhar nos negócios da família. 

“Enquanto aluno, ele passou por alguns cursos do Sistema FAEMG/SENAR/INAES. Aliás, todos nós já passamos pelos treinamentos nas áreas de inseminação, trator, derivados do leite, associativismo, gestão, além dos programas Jovem no Campo e Gestão com Qualidade no Campo. Sempre que posso, também me capacito. O mundo está em constante evolução e as exigências mudam constantemente. É preciso conhecer o mercado, saber o que estamos produzindo. Hoje, consigo negociar o produto com toda a clareza de informações para alcançar o melhor valor”, destacou a produtora. 

“Este é mais um caso de sucesso que temos acompanhando por meio do ATeG, programa que tem feito toda a diferença na vida dos produtores rurais”, afirmou o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Juiz de Fora, Domingos Frederico Netto.