Conheça a FAEMG

A FAEMG (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais) defende os interesses dos produtores rurais do estado.

Crédito Rural

Veja informações sobre os financiamentos destinados aos produtores rurais, cooperativas ou associações para fomentar a produção e comercialização de produtos agropecuários.

Informações Jurídicas

Acesse os documentos disponibilizados pela Assessoria Jurídica para auxiliar os produtores rurais.

Contribuição Sindical
Leiloeiros Rurais

Veja todas as informações sobre os leiloeiros rurais do estado de Minas Gerais.

Transparência
Compartilhe


Cooperativismo prepara o café mineiro para novos desafios

JORNAL EM CAMPO
ESCRITO POR NATHALIE GUIMARÃES, DE BELO HORIZONTE
22/10/2026 . SISTEMA FAEMG

Bernardo Paiva destaca sucessão, inovação e valorização da cadeia produtiva

Produtor de café, engenheiro agrônomo e profissional ligado à cultura desde 2001 e com experiência de dez anos em uma grande multinacional, Bernardo Paiva tem uma trajetória que muito agrega à sua atuação na liderança da Minasul, considerada a segunda maior cooperativa exportadora de café no Brasil e sediada em Varginha, no Sul de Minas.

Há dez anos na cooperativa como diretor técnico e de desenvolvimento, ele assumiu a presidência há cerca de um ano e meio, levando para a gestão o olhar de quem conhece tanto o mercado quanto as dores de ser um produtor de café.

Com 68 anos de história, mais de 11 mil cooperados e presença em 14 municípios com armazéns, lojas e escritórios de negócios, a Minasul atua em um cenário de transformação da cafeicultura. Mudanças climáticas, rastreabilidade, tecnologia, sucessão familiar e agregação de valor estão entre os temas que desafiam os produtores rurais.

Nesta entrevista ao Jornal Em Campo, Bernardo fala sobre o papel da cooperativa, a valorização das histórias por trás dos cafés e a necessidade de preparar o cooperativismo para uma nova geração de produtores.

Como agregar mais valor ao café entregue pelo cooperado?

A Minasul quer entender onde cada café se encaixa melhor. Temos especialistas em cafés de qualidade e em commodities e trabalhamos para entender onde a cooperativa pode agregar valor ao café dos cooperados. Um dos projetos busca identificar as fazendas e as famílias para levar a história desses lugares junto com o café. Hoje não depende só de qualidade e rastreabilidade, mas também de experiência. O consumidor final quer saber a história do produto. Cada vinho tem a sua história. E por que não um café?

Como o pequeno e médio produtor pode chegar ao mercado externo?

Todo café exportado necessariamente precisa ter rastreabilidade. Com tecnologia, conseguimos levar essa informação dentro de cada saca de café exportado. Fizemos com todos os produtores que produzem com qualidade e queremos evoluir, aumentar essa base de cafés com rastreabilidade e, acima de tudo, trazer a identidade dessas famílias e dessas fazendas.

Quais são os principais desafios e perspectivas para a cafeicultura?

Um dos pontos favoráveis à cafeicultura é o consumo mundial, que vai crescendo. Mas precisamos entender que o Brasil precisa atender esse consumo, porque, se falharmos na produção, algum país vai abraçar esse consumo. Já a questão climática é algo sério e precisamos estar atentos. Temos questões trabalhistas e financeiras, mas a cafeicultura brasileira e as cooperativas estão mais preparadas.

Como a Minasul tem ajudado o produtor diante dos desafios climáticos?

Buscamos auxílio das indústrias parceiras, instituições financeiras e empresas que trazem inovação e novas tecnologias. Temos parceiros como Embrapa, Procafé e universidades federais. Hoje, temos grandes projetos na cafeicultura, na renovação do parque cafeeiro, com cultivares novas resistentes a seca e frio intenso e também a pragas que a mudança do clima pode ocasionar. A Minasul carrega no seu DNA inovação e tecnologia, mas, acima de tudo, aquilo que gera valor para o cooperado.

A sucessão familiar é um ponto de atenção da cooperativa. Por quê?

A Minasul foi uma das primeiras cooperativas a entender esse processo de sucessão. Temos vários casos em que não foi feita a sucessão, sendo simplesmente uma questão de herança. Hoje, entendemos que o certo é fazer essa sucessão de forma compartilhada, com a evolução de um pai e de um filho nas tomadas de decisões. A cooperativa preza por isso e investe nesse setor porque entende que o cooperativismo vai perdurar se tivermos êxito nesse processo de sucessão dentro das propriedades.

Como você enxerga o futuro do cooperativismo?

O cooperativismo mineiro é uma grande ferramenta, mas temos que olhar para a sucessão dentro das cooperativas. Hoje, temos um presidente com 43 anos de idade que está preocupado com a sua sucessão. As ideias vão surgindo, mas o agronegócio está evoluindo ainda mais do que as próprias cooperativas. As sucessões estão sendo feitas nas propriedades. Temos que estar atentos a essa nova demanda, com pessoas atualizadas, capacitadas e que de fato entendam os pontos de dor de cada agricultor.