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O SENAR MINAS (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Administração Regional de Minas Gerais) é responsável pela capacitação profissional e promoção social do produtor, do trabalhador rural e seus familiares.

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Família unida e lucro com café tipo exportação

ATEG CAFÉ + FORTE
ESCRITO POR LÍLIAN MOURA, DE VIÇOSA
04/10/2022 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR

Vanderlei de Moura conta que é cafeicultor “desde que se entende por gente”. Aprendeu o ofício trabalhando na lavoura com os pais e irmão. Sempre atento a novas tecnologias que melhorassem o desempenho na atividade, o produtor buscou o Sindicato dos Produtores Rurais de Simonésia para fazer o curso de Degustação e Classificação de Café oferecido pelo Sistema Faemg.

O objetivo era se capacitar para investir na produção de café especial, que ele iniciou em 2016. No Sindicato ele conheceu o Programa de Assistência Técnica e Gerencial - ATeG Café+Forte, do qual faz parte há dois anos. “É a primeira vez que trabalho com acompanhamento profissional e tem feito total diferença. A gente perdia muito dinheiro, não anotava nada. A consultoria vai além da lavoura e isso ajuda demais. Eu não fico mais sem o técnico”, afirmou Vanderlei.

Os pais Vanderlei e Luciene e as filhas Camile e Larissa

Exportação

O técnico de campo Wanderlei Miranda é quem acompanha o produtor Vanderlei na propriedade. Além do nome, ambos têm em comum a busca por qualidade na produção de café e, juntos, eles estão conseguindo um grande feito: a comercialização para o exterior, com a venda direta para a empresa italiana Illy.

“Vi que o Vanderlei produzia um café com potencial para alcançar os padrões deles e ele abraçou a ideia. O café é entregue em São Sebastião do Paraíso, em uma carga rastreada, com toda a segurança, e conseguimos fechar negócio com valor agregado”, explicou o técnico do ATeG.

Para fazer as vendas, Vanderlei cumpre uma série de exigências estabelecidas pela empresa, como ter um café com menos de 12% de umidade, sem resíduo de agroquímicos, peneira 16 acima, despolpado. Na transação internacional ele consegue um valor até 20% maior por saca que o valor no mercado nacional.

Cafezal florido em 2022

No ano passado, o cafeicultor vendeu cerca de 400 sacas para o exterior e neste ano a expectativa é de que o número chegue a 500. “Foi uma venda excelente. Ganhamos, já descontadas as despesas, R$258,00 a mais por saca”, contou, satisfeito.

Atualmente, o produtor de Simonésia é membro do seleto Clube Illy, que reúne os principais fornecedores de café para espresso da empresa e os recompensa pela adesão aos seus conceitos de qualidade e pela fidelidade no fornecimento de grãos.

“Estamos no caminho certo. Melhorar a produtividade e a qualidade produzindo com carinho e capricho. Uma parte importante do ciclo, que é atingir a comercialização com valor agregado, vai se completando com sucesso”, comentou o técnico Wanderlei.

Família unida em Simonésia

Capacitação

Além do curso de Classificação e Degustação, Vanderlei segue buscando conhecimento com cursos do Senar Minas. Ela também tem no currículo os cursos de Torra, Classificação e Degustação de Cafés Especiais e Comercialização. “Toda mudança é um desafio, por isso busco estar sempre preparado e aprendendo”.

Família

Com o ATeG Café+Forte o investimento nos cafés especiais se intensificou no Sítio Posse da Cachoeira e a esposa de Vanderlei, Luciene Medeiros de Moura, passou a se dedicar ao preparo de micro lotes da produção. Ela conta que o maior envolvimento da família na atividade é consequência do ATeG.  “Essa forma de trabalhar consegue fazer a gente se sentir parte e fazer a diferença no trabalho. Meu esposo sempre fez questão de me deixar a par de tudo, mas, hoje, com o ATeG, consigo compreender melhor os processos”.

Luciene acredita que o café especial é uma oportunidade de envolver as mulheres e os jovens na cafeicultura. Para ela, o produto abre caminho para a inclusão feminina e para a sucessão familiar. “Às vezes a mulher rural tem dificuldade de participar das etapas de produção e vejo que há uma necessidade de buscar novos horizontes para o café, e o café especial abre esse caminho. Para os jovens, ele pode ser a oportunidade de permanecer no campo”.

A pequena Larissa segue os passos dos pais Vanderlei e Luciene e é apaixonada por café

Luciene e Vanderlei têm duas filhas. Camile, de 19 anos, é grande incentivadora da produção do café superior, e, sempre que possível, ajuda nos processos. Mas, segundo a mãe, é a filha caçula, Larissa, de 9 anos, quem mais se envolve na atividade. “Ela se interessa muito! Participa de tudo, e tem afinidade com a atividade. Ela já toma a bebida e até identifica as notas de sabor”, contou Luciene.

A produtora, cada vez mais engajada, integra agora é membro da Associação de Mulheres do Café da Região das Matas de Minas e Caparaó (AMUC) e conta que o encontro com outras cafeicultoras proporciona momentos de fortalecimento, identificação e inspiração.

“Fiquei encantada quando conheci a AMUC. A associação é muito importante para a valorização da mulher no trabalho rural, principalmente na cafeicultura, já que nós temos a dedicação que o café especial precisa. Me unir a mulheres que vivem a mesma realidade que eu traz novas experiências, amizade e mais união entre a família”.

Luciene se decida ao preparo dos micro lotes

Concursos

A família Moura está empenhada em participar de concursos de qualidade do café. Para Luciene, o 6º lugar no concurso municipal de Simonésia, em 2021, deu confiança para seguir participando de competições.  “Se não participar, a gente não conhece o que produz e onde pode melhorar. Nossa busca constante é por qualidade”. Neste ano ela mandou amostras para o Florada Premiada, concurso promovido pelo Café Três Corações.

Vanderlei está participando do 6º Cupping ATeG Café+Forte e espera poder figurar entre os melhores. “A gente tenta fazer o melhor. A concorrência é forte e a gente tem que estar junto.  Acredito que estamos no páreo”.