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Produtores apontam benefícios da doma racional de novilhas

PROGRAMA AGRONORDESTE
ESCRITO POR RICARDO GUIMARÃES, DE MONTES CLAROS
23/12/2021 . SISTEMA FAEMG, SENAR

Após um ano inteiro de novos conhecimentos e mudanças aplicadas na rotina da propriedade rural, produtores de leite da cidade de Verdelândia e região atendidos pelo Programa AgroNordeste participaram do curso de Doma Racional de Novilhas para Ordenha, do Sistema FAEMG/SENAR/INAES/Sindicatos. O objetivo foi dar continuidade nas novas práticas de trabalho, dedicando agora técnicas específicas para o bem-estar durante o manejo dos animais.

“São métodos simples e praticamente sem custo. Este manejo vai trazer uma série de benefícios para os animais e para a propriedade. O bem-estar do animal ajuda no aumento da produção de leite, que vai descer com mais facilidade. Além disso, gera mais saúde aos produtores, porque o animal quando é agredido no manejo vai ter mais resistência, pode ser mais reativo e provocar acidentes”, destaca a instrutora Pércia Rocha.

O curso foi realizado na fazenda do produtor Pedro Avelino Lopes Nogueira, que atua na produção de leite e derivados. Assistido pelo programa de assistência técnica e gerencial, ele viu a necessidade de implementar a mudança no trato dos animais para garantir mais sucesso no negócio. 

A técnica de campo Ana Cláudia e a instrutora Pércia Rocha (ambas de colete) com a turma de produtores

Adaptação 

“Nunca tinha feito o curso de doma racional. Foi bom para aprender a lidar com o animal. Muitos conhecimentos vêm da rotina, mas a cada dia precisamos aprender mais, agregar novas tecnologias, novas formas de trabalho. É preciso inovar, se não paro no tempo - por isso vamos nos cercando de conhecimentos, junto a nossa equipe de trabalho”, comentou o produtor.

“O produtor tem o próprio laticínio, com grande público no estado de São Paulo. O gado é criado a pasto, com alguns animais mais rústicos e ariscos, de origem zebuína. No último dia de curso a gente já notou que eles estavam totalmente adaptados à sala de ordenha”, destacou Pércia. 

Na propriedade, são 80 animais em lactação, com média de produção de 15 litros dia por vaca. Este foi o terceiro curso que Pedro Avelino sediou na propriedade, que está na família desde a década de 1960 e vem se transformando após a chegada do ATeG. “Já fizemos também os cursos de produção de doce de leite e de vaqueiro. Vivo da atividade leiteira, e a evolução da propriedade e do negócio vem sendo fantástica nestes quase dois anos de assistência. A técnica de campo, Ana Cláudia Soares, é sempre muito dedicada e agrega coisas novas”.

Novos produtores, novos conhecimentos 

As novas formas de trabalho também agregaram valor a dois jovens produtores rurais que participaram do curso de doma racional. Lucas Alencar Lima, de 21 anos, administra a propriedade da família e vem implantando mudanças, seguindo as orientações do ATeG, que garantiram à propriedade passar a produzir 130 litros de leite por dia. Ele, que aprendeu o trato dos animais com os conhecimentos passados pela família, espera aprender e melhorar ainda mais a rotina de trabalho.

“É um conhecimento que eu não tinha nem noção. Coisa simples que dá resultado em pouco tempo. Estou adequando minha propriedade para iniciar essa nova forma de manejo. Antes do curso atuava como antigamente, mais na brutalidade. Mas vi que tem jeito de fazer diferente, com técnicas. O curso vai somar aos novos conceitos e conhecimentos que o ATeG implantou e já ajuda na evolução da propriedade. Animais com mais bem-estar vão produzir ainda mais e com sustentabilidade”.

Recém-formada no ensino médio, Mariana Nogueira Miranda buscou o curso para ajudar na propriedade do namorado e já começar a traçar sua trajetória profissional com novos conceitos da atividade rural, já que pretende cursar medicina veterinária. “Este foi meu primeiro curso do Sistema FAEMG. É uma dinâmica inovadora e muito interessante. Um novo olhar para mim, que irei buscar essa área. Sempre tive contato com animais, mesmo assim não sabemos de tudo, porque vemos com outros olhos no curso o trato e manejo. Evoluímos muito durante o curso. Aprendemos a pensar como a vaca”.

AgroNordeste

O AgroNordeste é um projeto do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), através da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) e em parceria com o Sistema CNA/SENAR, leva assistência técnica e gerencial a propriedades do semiárido no Nordeste e em Minas Gerais.

O programa atende oito cadeias nas regionais de Araçuaí e Montes Claros: Apicultura, Avicultura, Cafeicultura, Fruticultura, Olericultura, Bovinocultura de Corte e Leite e Piscicultura.