O Sistema FAEMG deu início ao Projeto de Melhoramento Genético na Apicultura – Produção Itinerante de Rainhas no Norte de Minas. O primeiro dos sete municípios pelos quais a ação vai passar na região foi Cônego Marinho. A proposta do projeto é melhorar a eficiência das floradas e tornar os enxames mais produtivos por meio da substituição de abelhas-rainhas por outras mais adaptadas ao semiárido. Com isso, a expectativa é aumentar a qualidade de mel e derivados e a sustentabilidade do negócio.
Participaram do lançamento do projeto em Cônego Marinho apicultores que serão beneficiados pelo projeto, produtores interessados em começar na atividade, representantes do Sistema FAEMG e autoridades municipais. A programação contou com um seminário sobre a cadeia apícola, orientações do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) e visita à unidade móvel do projeto, que está percorrendo várias cidades do estado. O laboratório móvel já passou pelo Sul de Minas e, depois do Norte de Minas, segue para a Zona da Mata.
“Este projeto é uma marca para toda a história da apicultura no Norte de Minas. O projeto vai chegar a mais seis municípios da região, para onde levaremos tecnologia e inovação ao apicultor, tornando a produção e o processo produtivo mais eficientes”, destacou o gerente regional do Sistema FAEMG, Dirceu Martins.
Mais de 50 apicultores serão contemplados em Cônego Marinho. “São muitos apicultores na região, e eles estão muito motivados. Eles querem aprender o processo de produção de rainhas e receber as rainhas para introduzir nas colmeias na nossa próxima visita ao município. Eles terão acesso a um material genético de qualidade, que vai melhorar os apiários”, explicou o zootecnista e consultor master de Apicultura do Programa ATeG, Arnaldo Maurício Correa Neto.
Expectativa
A coordenadora do Programa ATeG Apicultura do Sistema FAEMG, Paula Lobato, explicou aos convidados como o projeto irá funcionar. A expectativa é que a substituição de espécies de abelhas-rainhas contribua para o aumento da produtividade em cerca de 30%, melhorando a renda do produtor.
“O projeto sensibiliza os produtores para adotarem o hábito de trocar as rainhas anualmente. Esperamos mostrar como deve ser o processo para produção de rainhas nos apiários de cada um deles. Sete municípios da região vão receber a unidade móvel, mas estamos englobando muito mais, porque produtores das cidades vizinhas serão incorporados. A ideia é disseminar o conhecimento, desde o manejo de troca e seleção de rainhas, e incentivar a formação de novos grupos de ATeG na região”.
O apicultor Luiz Mário Fernandes, presidente da Associação de Apicultores de Bonito de Minas (Appibom), acompanhou toda a programação com atenção. Isso porque, além de receber o projeto de melhoramento genético junto aos apicultores da Appibom, vem sendo procurado por novos produtores que querem começar na atividade. O conhecimento conquistado com o apoio do Sistema FAEMG serão repassados aos colegas.
“Nossa expectativa é melhorar a produção, ter mais renda e proporcionar mais segurança aos apicultores. Esperamos que mais pessoas busquem a apicultura. Já sentimos uma maior procura na associação. É um meio de renda com menos impacto ao meio ambiente”, afirmou.
Etapas
Nesta primeira etapa em Cônego Marinho, foi feita a incubação das larvas das novas abelhas-rainhas e também a demonstração de como o apicultor pode fazer o mesmo processo em seus apiários. Daqui a nove dias, que é o prazo médio para que as larvas se desenvolvam, a equipe do Sistema FAEMG volta ao município para distribuir as abelhas-rainhas produzidas aos apicultores atendidos pelo ATeG.
O apiário de Vailton Lessa Lima foi o local escolhido para o desenvolvimento dessa nova genética. As matrizes selecionadas no apiário, com controle produtivo, foram utilizadas para fornecer as larvas que serão a base da produção das novas rainhas. Ele, que também é técnico de campo, não escondeu a satisfação em ver o projeto chegando ao Norte de Minas. “Dentro de um mesmo apiário, tem colmeias que produzem acima de 100 quilos e outras abaixo de dez. Com este melhoramento genético, podemos equalizar os enxames, melhorando os índices de produtividade”, comentou.
O potencial da região também é ponto de destaque para o consultor master Arnaldo Maurício. Segundo ele, com o melhoramento genético, a tendência é ter fornecedores locais para que, ao término do ciclo do Programa ATeG, os apicultores possam dar sequência ao trabalho. “O nosso trabalho forma a sustentabilidade”.
Nos próximos dias, o projeto passará ainda por São João da Ponte, Japonvar, Ubaí, Montes Claros e Bocaiúva, fechando o primeiro ciclo de visitas no Norte de Minas.
