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Conhecimento transforma vidas de produtoras

JORNAL EM CAMPO
ESCRITO POR RICARDO GUIMARÃES, DE MONTES CLAROS
20/03/2026 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR, INAES, FAEMG

A vocação em empreender e o acreditar na força do campo unem as histórias de Hilda Andréa Loschi e Sanara Figueiredo Pinto Rezende Santoni, produtoras de destaque em suas respectivas atividades no Norte de Minas. Ao longo dos últimos anos, elas ampliaram seus negócios rurais, efetivaram presença em entidades de representação de classe e se desenvolveram ao buscar novos conhecimentos técnicos, inclusive, por meio do Sistema Faemg Senar.

Sede de aprendizado

Filha de produtor rural, originalmente da região de Barbacena, que sempre estimulou o empreendedorismo em casa, Hilda Loschi tem mais de 30 anos de experiência no meio rural e concilia hoje importantes funções de liderança em entidades de representação de classe.

Atualmente à frente da gestão estratégica e técnica do grupo Loschi Agronegócios, ela atua na fruticultura (em mais de 500 hectares, e nível exportação), pecuária de corte (cria, recria e engorda de mais de 1.000 cabeças), agroindústria de vinhos e, muito em breve, uma nova expansão para o café. Ela se orgulha em manter a mesma força de vontade para se dedicar ao campo, honrando o legado rural da família.

Hilda Loschi atua dentro da porteira e fora dela, representando produtores rurais e incentivando mulheres a ocupar novos espaços

“Saber não ocupa espaço, já dizia minha mãe. Sempre busquei novos aprendizados e, até hoje, levo esse modo de enxergar a vida na trajetória dos meus negócios. A agropecuária brasileira é muito dinâmica e quem está na gestão precisa se atualizar o tempo todo”, diz Hilda.

Os primeiros passos da produtora no Norte de Minas foram com hortaliças, passando também pela produção de cana de açúcar e pela pecuária de corte, que segue até hoje entre as atividades e é tida como primordial nos negócios. Com o passar do tempo, Hilda, que é engenheira agrônoma, acrescentou diversas formações e capacitações ao seu currículo, tudo em busca de aprimorar a atividade rural.

“A vida vai levando a gente para alguns caminhos, que não planejamos exatamente 100%. É da minha essência aprender, uma sede inesgotável por conhecimento. Quem está nesta gestão precisa se atualizar o tempo todo para não perder o bonde da história e poder criar negócios sustentáveis e economicamente viáveis, com perspectiva para sucessão, inclusive para os colaboradores”, ressalta.

Hilda tem colocado seus conhecimentos em prática dentro e fora da porteira. “Enquanto produtores temos que entender que o nosso negócio não é só produção. É comercialização, é legislação, é custo operacional, entre outros. Se ficarmos só da porteira para dentro, alguém vai fazer as regras para a gente".

Sobre sua atuação na Comissão Faemg Mulher, ela destaca que o objetivo é preparar mais mulheres para se fazerem presentes em mais espaços e entidades para defender suas necessidades e desafios. "Criar espaços de liderança para essa nova geração, para um novo olhar para o agronegócio brasileiro”, enfatiza Hilda Loschi.

Sucessão na 'raça'

A rotina de aprendizados e a persistência também fizeram com que Sanara Figueiredo conduzisse a Fazenda Bonina para novos patamares. Ela, que assumiu os negócios com apenas 20 anos, encarou o desafio mesmo diante da pressão por resultados. Hoje a fazenda tem produção superior a 1.600 litros de leite por dia e trabalha com genética de qualidade e estoque alimentar planejado para enfrentar os períodos extremos de seca da região.

“Não tive uma transição, uma sucessão, foi na raça. Precisei renunciar a muitas coisas para abraçar o suor e a caminhada que já existia do meu pai na propriedade. Quando olho para trás, vejo a bagagem que adquiri ao assumir e transformar a propriedade em referência”, destaca.

Sanara enfrentou desafios e hoje colhe resultados: 'O produtor rural tem muita dificuldade de sonhar.
Nessa caminhada percebi que isso é importante".

O início, como Sanara recorda, foi desbravador. Para entender toda a dinâmica e conseguir otimizar os processos de trabalho na fazenda, ela entrou na rotina diária da produção, participando da parte operacional, na ordenha, à gestão. Em um primeiro momento, ela buscou conservar a propriedade, não precisar vender o patrimônio. Tudo foi fluindo, e o negócio se reinventou com muita dedicação.

“O caminhar envolveu me desenvolver, cair e pensar em desistir, mas não permitir. A fazenda faz parte da minha vida. Hoje, 20 anos depois, considero bem-sucedida, mas é uma batalha constante. Fui me cercando de conhecimentos. Nos próximos anos, haverá um novo salto. Aquele patrimônio que não vendi, desenvolvi e conservei vai para uma terceira geração: a das minhas filhas”, celebra.

Entre as capacitações, Sanara participou do Programa Gestão com Qualidade em Campo (GQC), em 2021, que a ajudou a pensar na gestão do empreendimento. A valorização do que se produz tem sido um norte para o trabalho, aliado à boa gestão. “O agro vive um novo momento. É preciso entender a demanda da fazenda e saber lidar com a gestão dos funcionários, valorizar as pessoas, gerar qualidade para os colaboradores e assumir este local. Se a gente passar a ter vergonha da atividade, nada vai funcionar”, pontua Sanara Figueiredo.

As duas filhas, de 13 e 10 anos, foram inseridas na rotina da fazenda, a pedido das próprias. “A filha mais velha vai começar a ajudar no balanço mensal, e a mais nova participa da atividade prática, gosta da ordenha”, explica.

Compreendendo a atividade como negócio, a produtora já prepara novos passos. Parte da propriedade que estava inutilizada, do total de 806 hectares, vai se transformar em área de plantio de eucaliptos. “O produtor rural tem muita dificuldade de sonhar. Nessa caminhada percebi que isso é importante. Sonho com relação ao empreendimento, planejando cada salto”.

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