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ATeG fortalece pecuária de corte no Centro Oeste de MG

ATEG BOVINOCULTURA DE CORTE
ESCRITO POR DENISE BUENO, DE PASSOS
10/06/2022 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR

Com quase 10 meses de atividade, o Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Pecuária de Corte em Santo Antônio do Monte e Lagoa da Prata registra bons números. O Programa do Sistema FAEMG é realizado nos municípios em parceria com os Sindicatos dos Produtores Rurais. Os grupos de pecuaristas, formados por 30 produtores cada, tem como meta a análise técnica e gerencial da atividade. Os trabalhos são conduzidos pelos técnicos Carlos Victor Rennó, em Santo Antônio do Monte, e Letícia Branquinho em Lagoa da Prata.

O programa tem como uma das metas aumentar a receita da propriedade, bem como a disponibilidade de pastagens, manejo nutricional, aumento da taxa de concepção, melhoramento genético e concentração de nascimentos em melhor época do ano. Os desafios são muitos para os dois anos do programa.

Conforme dados do IBGE (2021), a região intermediária de Divinópolis tem 2.165.212 de cabeças de gado. Os municípios agregam essa região: Santo Antônio do Monte com 91.174 cabeças, Lagoa da Prata com 25.005 e Divinópolis com 52.192 cabeças.

Rebanho

Em Santo Antônio do Monte, os produtores do ATeG estão no mesmo patamar. Nas palavras do técnico Carlos Victor, o número de vacas prenhas em relação ao ano anterior ao projeto é maior, devido a adoção de planejamento e tecnologias como estação de monta controlada e inseminação artificial com protocolos Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IAFT). Esse é apenas um dos resultados já contabilizados.

A mudança é grande para os produtores que não adotavam nenhuma dessas ações, não tendo controle, por exemplo, dos nascimentos e da nutrição do rebanho, o que refletia na reprodução e cria dos animais, venda de bezerros e descarte de vacas vazias e solteiras.

A maioria dos produtores assistidos são médios criadores, com rebanho de até 150 cabeças. A raça predominante do rebanho é a Nelore. A meta do técnico Carlos Vitor é chegar aos 12 meses do programa com o controle nutricional planejado. “Estamos no período em que o controle nutricional é a principal ação dos próximos meses. O manejo adequado dos lotes vai refletir na produção e nos resultados de 2022/2023”, analisou.

Análise do Produtor

Para o produtor Felipe Santana Coelho, da Fazenda Icaraí, o programa tem superado suas expectativas. “Dificilmente se alcança empatia e confiança tão rápido quanto alcançamos com o técnico Carlos Vitor. Mineiro é desconfiado. No início fiquei com os dois pés atrás, mas rapidamente começamos a trabalhar e colocar a mão na massa. Acredito que os frutos já estão aparecendo”.

Para o produtor, o manejo reprodutivo foi importante e melhorou os índices de prenhez na estação de monta que foi implementada na fazenda. “Com certeza teremos mais bezerros no próximo ano. Não deixamos de tocar a todo momento no tema administração, a fazenda é uma empresa e o produtor deve tratá-la como tal”.

Lagoa

O grupo assistido por Letícia Branquinho é bem heterogêneo, há pequenos e médios produtores. A maioria deles são descendentes de famílias que investiram na pecuária de corte. No entanto, a maior parte não sabia gerenciar os dados ou pensar em estratégias de manejos que poderiam facilitar o trabalho.

Nesses nove meses do grupo no Programa, a técnica tem trabalhado os calendários e controle sanitário, com programação para controle de carrapatos e vermifugação dos animais, aplicando vacinas distribuídas de forma estratégicas durante o ano. “Também tenho conseguido trabalhar um pouco na parte nutricional, utilizando em algumas propriedades a suplementação estratégica e manejo de pastagem de forma bem eficiente”.

A maior dificuldade do grupo ainda tem sido o controle das receitas e despesas. “Eu acredito que, com a apresentação dos índices econômicos da atividade, o perfil de muitos produtores em relação a atividade irá mudar. Hoje, as metas que tenho traçado com eles são mais em relação a manejos sanitários e nutricionais de forma correta, otimizada e, também, muito foco em cima da comercialização de animais”.

A produtora

Heloisa Helena Rezende, da fazenda Grotadas, é uma das pecuaristas assistidas pelo ATeG em Lagoa da Prata. Ela afirma que o trabalho desenvolvido na fazenda junto a técnica Letícia Branquinho tem sido muito positivo. “Alguns manejos que já eram realizados na atividade foram adequados e o gerenciamento de dados econômicos tem mostrado resultados que antes não eram analisados de forma concreta”.

A produtora destaca que, no início do Programa, sua dificuldade recaiu sobre a gestão de dados econômicos e zootécnicos, pois estes não eram embasados em índices e muitas vezes se perdiam. Ela destaca como as maiores conquista desse período o início da gestão dos índices econômicos e zootécnicos e algumas mudanças em manejos sanitários e nutricionais. A sua meta é justamente melhorar a gestão desses pontos da propriedade e adequar alguns manejos para a realidade do dia a dia da fazenda.

Divinópolis inicia novo grupo de ATeG

Em Divinópolis, o presidente do Sindicato, Irajá Ferreira Nogueira, aguarda com ansiedade o início dos trabalhos no município. A reunião de sensibilização dos produtores foi positiva e o técnico, Mateus Neto Silva Souza, já fez as primeiras visitas. “A nossa expectativa é muito grande, uma vez que temos que conhecer a propriedade em termos gerenciais, em números. Precisamos saber como esta o retorno de capital investido, onde temos falhas, visando melhorar a lucratividade do negócio e gerenciar melhor a fazenda do gado de corte”.