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Valor médio de referência do leite sobe abaixo da expectativa

CONSELEITE-MG
ESCRITO POR NATHALIE GUIMARÃES, DE BELO HORIZONTE
23/02/2024 . SISTEMA FAEMG, FAEMG

O novo valor médio de referência do leite foi divulgado nesta sexta-feira (23/02) pelo Conselho Paritário entre Produtores de Leite e Indústrias de Laticínios (Conseleite-MG). A projeção é que o valor médio de referência para o litro do leite entregue em fevereiro a ser pago em março seja de R$ 2,24. O indicador é 2% superior ao previsto para pagamento em fevereiro de 2024 (R$ 2,20), mas ainda está abaixo do esperado. O cenário das importações também foi tema da reunião.

O presidente da Comissão Técnica da Pecuária de Leite do Sistema Faemg Senar e integrante da diretoria do Conseleite-MG, Jônadan Ma, representou a Faemg na reunião e analisou que, apesar de o valor de referência do leite estar condizente com a situação do mercado das indústrias que compõem o Conseleite-MG, considerando sua capacidade de pagamento, ainda não condiz com a capacidade de comercialização. “Está tendo uma captação menor de leite, então esperamos que o produtor seja mais bem remunerado daqui para a frente”, completou.

Importação ainda preocupa

O cenário das importações ainda é um grande desafio para o setor. Mesmo com a publicação do Decreto Nº 11.732, de 18 de outubro de 2023, ainda não houve redução das importações em fevereiro. 

“As normativas e a portaria de regulamentação não estão prontas ainda. Ou seja, ainda não está efetivada a fiscalização e a devida implementação dessa portaria. Talvez seja isso que ainda esteja permitindo as importações em um nível bastante alto”, alertou Ma.

Segundo o presidente da CT de Pecuária de Leite do Sistema Faemg Senar, o leite em pó da Argentina e do Uruguai é 30% mais barato do que o comercializado no Brasil. Também preocupa a falta de clareza sobre o percentual de importação que realmente compete aos laticínios e o que se refere a outros setores que utilizam o leite em pó principalmente, como supermercados e indústrias de sorvete, por exemplo.

“Se o quadro continuar grave com altas importações e o preço ao produtor continuar baixo, vamos ver o aniquilamento do setor produtivo. O produtor de leite não vai suportar mais a sua contínua queda ou a não recuperação dos preços de leite. A médio prazo, isso pode causar um desabastecimento nacional, fazendo com o que o Brasil dependa ainda mais da importação. Precisamos que o governo nos ajude a barrar essa importação pois não há como competir com o leite importado do Mercosul”, destacou.