Compartilhe

Sucessão familiar aliada ao aumento de produtividade

ATEG CAFÉ + FORTE
ESCRITO POR KAROLINE SABINO, DE VARGINHA
01/12/2023 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR

A produtora Marli Aparecida Braga Gonçalves Silva, de Varginha, cogitou vender a propriedade da família e abandonar a cafeicultura. Foi neste momento que seu filho, Mayron Braga Gonçalves Silva, com apenas 18 anos na época, decidiu viver da atividade e incentivou a família a seguir. A partir disso, eles iniciaram os atendimentos no Programa de Assistência Técnica e Gerencial - ATeG Café+Forte, oferecido pelo Sistema Faemg Senar. Após quatro anos de acompanhamento, as mudanças são notáveis: confiantes e animados com a cafeicultura, eles aumentaram a produtividade em mais de 220%, elevando o lucro da propriedade em 54%.

“O Sistema Faemg Senar transformou as nossas vidas. Desde pequeno, meu filho dizia que queria cuidar do sítio. Eu estava preocupada em deixar o Mayron em um local complicado, eu não tinha mais esperanças que a atividade seria rentável. Mantínhamos uma cafeicultura bastante tradicional, e eu não sabia o que deveria passar para ele. O técnico que iniciou conosco, Guilherme, um excelente profissional, chegou cheio de entusiasmo e nos motivou muito. Seguimos todas as orientações, inovamos nossas lavouras e isso fez uma diferença enorme tanto em nossa produção, quanto em nossa forma de pensar. Atualmente estamos no pós-ciclo, com o acompanhamento do Petherson, e só tenho a agradecer pelo propósito desse programa”, contou Marli.

Na primeira imagem, Guilherme e Divino - antes e depois dos atendimentos

Sucessão no campo

Mayron sempre teve o sonho de trabalhar na propriedade, mas não sabia por onde começar. Com o apoio do ATeG, hoje ele vive da cafeicultura e contribui para a geração de renda familiar.

“No início da nossa sucessão familiar, tivemos bastante dificuldade com as mudanças. Meu pai tinha dificuldade em aceitar as novas técnicas do programa e, para mim, era um desafio implementar essas ideias na propriedade. Com o suporte do técnico, vimos grandes melhorias na produção, como a recepa da lavoura, a troca por uma variedade mais resistente e produtiva, e ajustes nos espaçamentos para aumentar a nossa produtividade. Com o passar do tempo, meu pai começou a aceitar e concordar com as inovações ao perceber os resultados positivos. O ATeG foi fundamental para melhorar em todos os aspectos a nossa propriedade. Sem ele, isso não seria possível”, relatou.

O técnico de campo que iniciou o atendimento, Guilherme Ferreira Marques, contou que encontrou a família desmotivada em relação à atividade e preocupada com o início do filho na cafeicultura.

Quando cheguei à propriedade, o Divino, produtor, trabalhava praticamente sozinho e terceirizava a mão de obra. Naquela época, o Mayron trabalhava no cartório da cidade, e ele me disse que seu sonho era seguir com a atividade do sítio. Lembro que os pais não queriam que ele fosse para a cafeicultura, pois, como já estavam na atividade há algum tempo e não viam lucro, acreditavam que não fosse um futuro promissor para o jovem. Sugeri à família que Mayron continuasse com a cafeicultura, e, com nosso trabalho conjunto e a entrada dele na atividade, a história da família tomou um novo rumo. O Mayron sempre contribuiu muito, entende muito da produção e trabalha com amor. É uma história inspiradora,” disse o técnico.

Mayron Braga Gonçalves Silva

Cursos de Formação Profissional Rural

Além do ATeG, Mayron participou dos cursos Manejo Integrado de Pragas (MIP), Operação e Manutenção de Triciclos Agrícolas, Colheita e Preparo do Café Pós-Colheita Via Seca e tem planos para iniciar no Programa Gestão com Qualidade em Campo na próxima turma.

“Sem contar que, além do técnico visitar nossa propriedade, o Sistema Faemg Senar oferece muitos cursos para nós, cafeicultores. Estou sempre participando e o conhecimento que adquiro contribui significativamente para melhorias em nossa produção,” relatou.

Resultado

Na safra de 2018/2019, antes do acompanhamento do ATeG, a família produziu cerca de 110 sacas em 10,9 hectares, totalizando 10,09 sacas por hectare. Ela plantou 3,5 hectares de uma nova lavoura das variedades arara e catucaí.

Na última safra, de 2022/2023, ela produziu 476 sacas em 14,44 hectare, totalizando uma média de 32,9 sacas por hectare. Desde o início do ATeG Café+Forte, mesmo após os investimentos com a nova lavoura, o lucro da propriedade aumentou em 54%.

Futuro

Mayron com a mãe, Marly

Com as orientações do técnico de campo, todas as lavouras de café foram reestruturadas e, após este manejo de poda, a primeira safra alta está prevista para 2025. A expectativa é que, entre 2024 e 2025, a família alcance uma média de 40 sacas por hectare durante o biênio.

Além disso, com as orientações do Petherson Franklin Coelho Neves, técnico que acompanha a família no pós-ciclo do ATeG Café+Forte, a família está programada para realizar o plantio de três hectares em uma nova lavoura ainda neste ano.

“Sem dúvidas, o carinho e o capricho que eles têm pela produção contribuíram muito para esse aumento na produtividade. Eles sempre realizam os manejos no tempo certo e, diante de todas as intervenções que passamos na cafeicultura, como a seca e a geada, eles mantiveram uma boa produtividade, em função deste cuidado. Agora, eles vão plantar uma nova área e isso vai alavancar ainda mais o lucro da propriedade”, finalizou o técnico.