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‘Deu para pagar as contas e sobrou’, diz produtor do ATeG

SALTO PRODUTIVO
ESCRITO POR RICARDO GUIMARÃES, DE MONTES CLAROS
04/12/2023 . SISTEMA FAEMG, SENAR

O primeiro ano do Programa de Assistência Técnica e Gerencial - ATeG Balde Cheio surpreendeu positivamente o produtor de leite Oliveira Anelson Alves, da cidade de Monte Azul, no Norte do estado. Com novas técnicas na rotina da fazenda, especialmente com relação ao manejo e às estratégias de alimentação dos animais, Oliveira, que atua na cadeia do leite há quase 30 anos, passou a ter resultados acima do esperado: motivo de grande alegria.

Oliveira Anelson celebra conquistas produtivas e retorno com a atividade - ao lado, a técnica Alana Amaral

“Tem sido muito bom. Tudo melhorou, e muito, na produtividade dos animais e na renda da fazenda. Eu achava que sabia muita coisa, mas agora que realmente estamos aprendendo a trabalhar. Na primeira visita da técnica achei que aplicar os novos métodos não ia dar diferença. Quando vi o resultado, me surpreendi muito. Tive um salto produtivo tão grande que deu para pagar as contas e ainda está sobrando”, revela, com alegria, Oliveira Anelson, que tem na venda do leite toda a renda da família.

Com as adequações no manejo, o produtor conseguiu saltar da média de 133 litros/dia para 160 litros. A técnica de campo Alana Amaral explica como a aplicação das novas técnicas foi feita. “Fizemos a formulação de um concentrado próprio para as vacas lactantes e a formulação de suplemento mineral de acordo com cada época do ano. O produtor já preparava silagem para alimentar os animais no período seco, porém, sem nenhum conhecimento técnico. Os animais demoravam cerca de quatro a seis meses para entrar no cio, não recebiam nenhum tipo de mineralização, o concentrado ofertado era desbalanceado e a quantidade ofertada era praticamente a mesma, independente da produção”, destaca a técnica.

Melhorar o manejo alimentar foi uma das estratégias adotadas 

Essa é a primeira vez que Oliveira Anelson consegue atingir e manter essa quantidade produtiva de leite, inclusive ao longo desta época seca do ano. Para se ter uma ideia, em 2022, também durante a seca, a produção não passava dos 80 litros de leite, com a mesma quantidade de animais no pasto. “Com certeza a diferença está na suplementação e manejo alimentar dos animais. Em 2022, antes do ATeG, perdi oito animais por anemia, devido às ações erradas de manejo”, relembra.

Hoje, as vacas da propriedade estão todas cruzadas, há acompanhamento do produtor em relação aos índices reprodutivos, o concentrado é ofertado de acordo com a produção de leite e não falta suplemento mineral nos cochos. “Temos muito que melhorar ainda, mas já conseguimos dar um avanço em pouco tempo, graças ao interesse, empenho e dedicação do produtor”, finaliza Alana Amaral.

Avanços também em Icaraí de Minas

O crescimento produtivo e o ânimo renovado após a chegada do ATeG também fazem parte da nova rotina de trabalho de Uelton de Almeida Silva, em Icaraí de Minas. Por lá, o produtor conseguiu passar a marca dos 100 litros de leite por dia pela primeira vez desde 2015, quando começou a atuar na atividade; hoje a média é de 170 litros. Atuando com mais técnica, o grande segredo foi modificar as estratégias de manejo dos animais.

“Eu não tinha muito conhecimento. Costumo dizer que mexia ‘na raça’, sem muitas informações técnicas e, por isso, foram várias dificuldades nos últimos anos. As estratégias de alimentação dos animais fizeram toda a diferença, junto ao ajuste na reprodução das vacas, que antes demorava um tempo maior, em que a vaca ficava parada sem produzir. Isso era prejuízo, porque essa vaca sem eu poder tirar leite dela seguia se alimentando igual as demais”, explica Uelton de Almeida.

Com estruturação da atividade, família de Uelton ganhou ânimo com a produção rural 

O técnico de campo que acompanha a propriedade, Félix Ribeiro do Santos, destaca que o processo de evolução contou com várias vertentes de trabalho. Na parte técnica, Uelton sempre se mostrou aberto a conhecer e adotar as novas orientações. “Trabalhamos com a parte de análise de solo, adubação da forma correta e melhoramento de genética, em que começamos avaliando as vacas vazias e soltando com boi. Depois o produtor já amadureceu a ideia de inseminar, onde tivemos ótimos resultados. Agora já estamos iniciando a fase de pastejo rotacionado na fazenda”, explica o técnico.

Mas não foi só isso. Com a participação de toda a família no processo, a parte gerencial da fazenda também foi organizada. E é a esposa de Uelton, Débora Barbosa Silva, que fica responsável por lidar com os números, acompanhamento de dados produtivos e levantamento das receitas e despesas da fazenda.

“Quando eu cheguei na propriedade a esposa meio que já sabia o que faltava, além da parte técnica de campo, a atuação do gerenciamento. Ela tomou essa responsabilidade e, a partir daí, fizemos estudo da propriedade e começamos as recomendações necessárias. Na parte gerencial, além de acompanhar despesas e receitas, passaram a anotar o dia que a vaca emprenhou, o dia que pariu, que apartou, passaram a pesar o leite, entre outros”, comenta Félix.

Trabalho desenvolvido junto ao técnico de campo Félix dos Santos (à frente) tem dado retorno produtivo 

Com a pesagem regular do leite e as anotações destes dados, por exemplo, foi possível regular o fornecimento de concentrado. “Isso ajuda a controlar os gastos e o manejo alimentar de cada animal, que passa a receber uma dieta específica. Essa regulação alimentar ajuda em tudo, inclusive agora, na seca. Em outros anos, neste período, eu chegava a parar praticamente tudo por falta de alimento para os animais”, finaliza Uelton de Almeida.

Se até alguns anos atrás a perspectiva do produtor era de se mudar com a família para o Sul de Minas a trabalho, agora a realidade mostra novos caminhos, com a organização do próprio negócio. Inclusive, os filhos do casal, Luís Otávio, de 16 anos, e Larissa Silva, de 11, já estão inseridos na rotina e afazeres da fazenda, e sonham em seguir os passos dos pais na produção rural e manter a atividade na família.