Grãos impulsionam os preços das terras
A manutenção dos preços pagos pelos grãos ao longo de 2013 foram fundamentais para que os valores das terras em Minas Gerais continuassem em alta. De acordo com o IPT (Índice de Preços de Terras), elaborado pela FAEMG, a partir de estudo preparado pela FNP Consultoria, comprar terras no Estado ficou em média 23,05% mais caro em 2013, frente o ano anterior.
 
Segundo a coordenadora da assessoria técnica da FAEMG, Aline Veloso, além dos preços mais altos pagos pelos grãos, outros fatores também contribuíram para a valorização das terras, como o crescimento das áreas urbanas e a legislação ambiental.
 
"A legislação ambiental, tanto federal como estadual, aliada ao crescimento das áreas urbanas vêm exercendo pressão sobre as áreas agricultáveis, que estão cada vez mais limitadas. Isso faz com que ocorra valorização dos preços", disse.
 
Em relação a 2002, ano em que se iniciou a pesquisa de preços, a valorização das terras mineiras foi superior a 850%. Segundo a FAEMG, as áreas de lavoura lideraram o ranking de valorização em 2013 e ficaram 19,41% mais caras, na média. Em seguida, as pastagens, que tiveram aumento de preço de 17,74% e as áreas de mata, com 16,86% de acréscimo. As áreas de pastagem foram avaliadas em 2013 em torno de R$ 6,122 mil por hectare, enquanto as voltadas para lavoura estão custando em média R$ 11,9 mil por hectare.
 
As terras mais caras estão localizadas em regiões que possuem infraestrutura desenvolvida, logística facilitada, terras altamente produtivas, tecnologias aplicadas e relevo favorável. Além disso, as regiões são tradicionalmente conhecidas pela grande variedade de culturas que podem ser cultivadas.
 
Valorizadas
 
Os dados da FAEMG mostram que Alto Paranaíba (Região Araxá), estão as terras mais valorizadas do Estado. O hectare foi avaliado com preço médio de R$ 20,291 mil, o que representou uma elevação de 13,97% frente ao valor de R$ 17,8 mil por hectares registrados em 2012.
 
No Sul de Minas (Região Pouso Alegre) o hectare custa em média R$ 16,506 mil, elevação de 15,16% quando comparado com os R$ 14,333 mil vigentes em 2012. No Triângulo Mineiro (Região Uberlândia) o hectare foi avaliado em média a R$ 16,404 mil, alta de 20,1% frente aos R$ 13,65 mil registrados em 2012. Nessas regiões são desenvolvidas atividade variadas como o café, fruticultura, soja, milho, feijão, silvicultura.
 
"A grande diversidade de culturas e o aparato tecnológico também são fatores que influenciam na cotação das terras e essas regiões são as principais produtoras do Estado", disse.
 
Outra região que apresentou elevação significativa nos preços foi a Central (Região Belo Horizonte). De acordo com Aline, as terras de pastagem foram as que mais encareceram, encerrando 2013 com incremento de 42,45% no preço médio. A justificativa para este caso, está na pressão imobiliária causada pelo crescimento das cidades e redução das terras agricultáveis disponíveis. Prova disso foi a valorização em 32,49% das terras para lavouras na região.