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quinta-feira, 29 de outubro de 2015
GQC impulsiona criação de cooperativa em Martinho Campos
Mônica Salomão, de Sete Lagoas

Fruto do programa Gestão com Qualidade em Campo (GQC), realizado pelo Senar Minas, a Cooperativa dos Produtores Rurais de Martinho Campos - Leite Vip completou quatro anos de fundação no dia 4 de novembro e em janeiro irá celebrar mais um aniversário de funcionamento com bons motivos para comemorar. A organização é responsável pela cotação e intermediação de compras coletivas de insumos, que chegam a R$ 1 milhão por mês, e pela negociação da venda de parte do leite produzido por seus 50 associados, 20 deles ex-participantes do GQC.

Integram o catálogo de produtos quase 1.400 itens que são repassados aos produtores com descontos que chegam a 25% do preço praticado no mercado. Entre as opções estão equipamentos como roçadeiras e vagões forrageiros, medicamentos variados e insumos para a alimentação do rebanho, a exemplo do milho, farelo de soja, sal mineral, polpa cítrica e caroço de algodão. Algumas compras, como a de adubos, são realizadas por meio de programação anual e a entrega pode ocorrer uma única vez ou de forma programada. “Compramos o que o produtor precisar e da forma como ele preferir. Mas é claro que para as compras de volume menor, que saem da programação anual, dificilmente conseguimos um preço tão interessante. No caso de pedidos maiores a nota vai direto para o associado, e quando a compra é menor o pagamento é feito para a Leite Vip”, explica o presidente Eduardo Costa Arruda.

A cooperativa não trabalha com estoque. No pequeno imóvel localizado no centro do município foi destinado um espaço para armazenar as encomendas até que seus compradores as retirem. Os pedidos para compras coletivas podem ser feitos até o dia 15. Terminada esta etapa, as solicitações são processadas e, por volta do dia 20, começam as cotações. As entregas são realizadas a partir do dia 25 de cada mês. “Este serviço tem mostrado, cada vez mais, que gerenciamento é fundamental. Antigamente, muitos produtores esperavam o farelo de soja acabar e, sem nem perguntar o preço, pediam para o armazém entregar a quantidade que precisavam na fazenda. Com o passar do tempo, eles perceberam que essa ‘praticidade’ aumenta muito o custo de produção e, por sua vez, reduz a margem de rentabilidade”, analisa o presidente.

Além de Martinho Campos, a cooperativa capta leite nos municípios de Abaeté e Pitangui. Juntos, os produtores associados produzem em média 2.250.000 litros por mês, sendo 330.000 litros negociados pela Leite Vip. “A experiência nos mostrou que fornecer leite em conjunto é difícil porque cada um tem as suas preferências de comercialização. Por isso, damos ao cooperado a opção de negociarmos apenas parte da sua produção”, diz Eduardo Arruda.

Para o técnico em contabilidade e associado Marcus Aparecido Gonzaga, a cooperativa fortalece a classe e aumenta a importância do grupo. “Fazer parte de uma cooperativa nos traz um diferencial. Uma pessoa sozinha consegue muito pouco, mas um grupo com o mesmo ideal tem mais força e, como consequência, maior poder de negociação da produção. Isso sem contar a economia gerada com as compras coletivas.” Participante assíduo das reuniões mensais, o produtor diz que esses encontros são de extrema importância para a troca de ideias e de informações que contribuem para o trabalho do dia a dia.

A Leite Vip conta com três funcionárias e os seus custos de manutenção são rateados entre os cooperados por meio do pagamento de uma mensalidade de aproximadamente R$ 200. Defensor de uma estrutura enxuta, o presidente afirma que uma cooperativa não precisa ser grande para funcionar bem. “A nosso ver, é um grande equívoco associar uma cooperativa a uma superestrutura, com muitos imóveis e ramos de negócios. Já tivemos uma organização nesses moldes aqui no município que não funcionou. Nosso capital imobilizado é mínimo, a sede é alugada e isso não é impedimento para oferecermos um bom serviço ao produtor. Temos conseguido bons preços para comprar os insumos e também para vender o leite. Além disso, temos conseguido conquistar uma de nossas principais metas que é melhorar, cada vez mais, a qualidade do leite produzido por nossos cooperados”, pontua Eduardo Arruda. Ao seu lado, o diretor administrativo, José Adelmo Lino da Silva, e o diretor técnico, Aertnys Flávio Cançado Santos, compõem a diretoria da Leite Vip.

Como tudo começou

As diretrizes da entidade de representação dos produtores de leite começaram a ser discutidas em 2007, durante o desenvolvimento do Plano de Gestão com Qualidade da Empresa Rural apresentado pela primeira turma do GQC no município. O presidente da Leite Vip conta que em um dos trabalhos realizados durante o programa foram simulados os custos de produção de uma fazenda e que para trazer mais veracidade à atividade o grupo fez cotações dos insumos a fim de buscar o melhor preço. “Com o resultado da pesquisa em mãos o instrutor começou a nos estimular, reforçando que a união faz a força e que se comprássemos em conjunto conseguiríamos preços e condições de pagamento melhores. Outro aspecto apontado por ele foi o fato de que juntos teríamos mais chances de pressionar o poder executivo para ter nossas demandas atendidas”, lembra Eduardo Arruda.

Também durante o programa, diz o associado Marcus Gonzaga, foram identificadas as falhas que culminaram no fechamento, em 2002, da antiga cooperativa. “À medida que nos foi sendo apresentado o conteúdo do GQC constatamos que a cooperativa anterior não prosperou por falta de planejamento. Isso nos permitiu traçar um diagnóstico com os erros cometidos para criarmos a Leite Vip com outra visão”, compara.  Também de acordo com ele, esta primeira turma do GQC “parece ter sido escolhida a dedo”. “Foi uma turma muito boa, participativa e com vontade de mudar. Tanto que o José Dirino (Arruda) se tornou presidente do sindicato, a chapa foi formada durante o GQC, e o Eduardo da cooperativa”.

Para José Dirino Arruda, ter no município entidades de representação fortes e atuantes traz ao produtor um sentimento de “bem-estar”. “Esse trabalho proporciona melhoria de vida, da renda e crescimento para o produtor. E é importante destacar que tudo isso aconteceu e está acontecendo graças ao Senar. Por meio desta parceria, as sementinhas foram plantadas e hoje estamos colhendo os frutos”, agradece o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Martinho Campos.

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