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quarta-feira, 26 de março de 2014
Estiagem - Prejuízo de R$ 800 milhões em 2 anos
Diário do Comércio
A estiagem prolongada e as altas temperaturas têm causado grandes perdas na produção do agronegócio de Minas Gerais. Uma das regiões mais atingidas é o Norte do Estado, onde o problema da falta de água é histórico e tem se agravado nos últimos três anos. Somente na safra 2013/14, os prejuízos com a seca somam R$ 371,1 milhões na região, motivados pela queda de 77,5% na produção de grãos. Nas últimas duas safras, as perdas totalizaram R$ 800 milhões, segundo dados levantados pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG). A solução para o problema passa pela construção de barragens.
 
De acordo com o engenheiro agrônomo e coordenador técnico da Emater-MG, escritório regional de Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, Reinaldo Nunes de Oliveira, a situação dos 86 municípios acompanhados pela Emater é crítica e as perdas na produção agrícola e pecuária são enormes.
 
Para ser ter ideia, a área plantada com grãos no Norte de Minas historicamente ultrapassava os 220 mil hectares, mas na safra atual ficou em 155 mil hectares com a estimativa inicial de colher 484,4 mil toneladas. O volume de perdas - 400,1 mil toneladas - representa uma queda de 77,5% no volume projetado inicialmente. O prejuízo chegou a R$ 371,1 milhões, com a colheita de apenas 96,89 mil toneladas de grãos.
 
"A região vem registrando perdas há três anos, devido à ocorrência de chuvas irregulares. Em 2014, em função dos prejuízos acumulados nos anos anteriores, os produtores optaram pela redução significativa da área plantada e, mesmo assim, o que foi plantado foi perdido. A questão mais crítica, com exceção de Montes Claros, é que a economia dos municípios gira em torno da agricultura e da pecuária. Diante da situação atual, o comércio, a geração de renda e de empregos também são afetados", disse.
 
Retenção - Para o representante da Emater-MG, para solucionar o problema na região, seriam necessários investimentos em meios para reter a água das chuvas. A construção de pequenas barragens, que causam poucos impactos ambientais e é fundamental para o desenvolvimento social, seria uma das soluções.
 
"A construção de várias barragens de pequeno porte em áreas estratégicas seria suficiente para garantir o abastecimento da região e investir na irrigação. Atualmente, cerca de 70% do volume pluviométrico é perdido. Se esse montante fosse retido, a produção na região teria condições de se desenvolver muito bem. Projetos de construção de barragem de grande porte, como o de Jequitaí, em desenvolvimento no município de mesmo nome, também são muito bem vindos. Políticas desse tipo precisam ser expandidas na região", disse.
 
Queda na produção de feijão chegou a 90%
 
A estiagem e as altas temperaturas impactaram fortemente na produção de grãos, uma das mais afetadas foi a cultura do feijão. De acordo com os dados da Emater, a previsão era colher 159,4 mil toneladas do grão, mas a queda na produção chegou a 90% ou de 143,5 mil toneladas. A colheita de apenas 15,1 mil toneladas causou prejuízos de R$ 215,2 milhões para os produtores de feijão.
 
As lavouras de milho também foram muito atingidas. Do total da área destinada à produção de grãos no Norte, mais de 120 mil hectares eram ocupados com a cultura do milho, produto de fundamental importância tanto para alimentação humana como dos animais. Com a estiagem, a área do cereal foi reduzida para 99,7 mil hectares na safra 2013/14, com previsão inicial de produzir 249,2 mil toneladas. Porém, com a estiagem os produtores perderam 199,4 mil toneladas ou 80% do volume plantado. O prejuízo foi calculado em R$ 109 milhões.
 
Na região, o comprometimento das lavouras de algodão chegou a 70%. Da estimativa de colher 5,2 mil toneladas em 1,9 mil hectares, foram produzidas apenas 1,5 mil toneladas. Perda de R$ 6,3 milhões.
 
Já na produção de soja há prejuízo de R$ 23,19 milhões, com a queda de 70% no volume a ser colhido, que era estimado em 36,8 mil toneladas. Situação parecida foi verificada no arroz, cuja produção ficou 90% inferior a projetada, que era de 20,1 mil toneladas. O valor da perda ficou em R$ 11,6 milhões.
 
Pecuária
 
Segundo Oliveira, em relação à produção de bovinos, base da economia da maioria dos municípios do Norte de Minas, a situação ainda é mais crítica. Isso pelo rebanho que era estimado em 3,3 milhões de cabeças em 2011 ter sido reduzido para 2,6 milhões em 2014. A queda, 26,9%, foi causada pela morte de animais ao longo dos últimos anos e pela vendas de bovinos para outras regiões em função da falta de pastagens para alimentação do rebanho. Na região, a capacidade de suporte das pastagens foi reduzida em mais de 60% não sendo suficiente para comportar o rebanho remanescente.
 
A produção de leite, que em épocas de clima favorável para o período somava 600 mil litros ao dia, foi reduzida a menos de 300 mil litros em função da falta de alimentos para o rebanho, observando que a produção de carne também está prejudicada pela baixa capacidade de suporte das pastagens, o que estimulou a venda de garrotes e matrizes para outras regiões.
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