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quinta-feira, 9 de julho de 2020
Sucessão familiar e os jovens do agro

“As estatísticas apontam que faltam sucessores para o campo. O IBGE mostrou que o número de jovens no campo está encolhendo enquanto as pessoas envelhecem. Sem sucessor o campo pode produzir menos. Muitas das vezes, a descontinuidade dos negócios familiares nos empreendimentos rurais tem como causa o desconhecimento do potencial do agro, restrição financeira e ausência de um plano de sucessão orientado. Essas causas acabam, por vezes, gerando os seguintes efeitos: redução da produção, áreas subutilizadas, empreendimentos vendidos ou arrendados e a saída do jovem do campo em busca de trabalho e renda em outros setores da economia já saturados. O desafio é como romper esse ciclo e torná-lo virtuoso.”

Em mais uma live do Sistema FAEMG, em comemoração à Semana do Produtor Rural Mineiro, o coordenador de Planejamento do SENAR Minas, Celso Furtado Jr. e o pesquisador da Embrapa Gado de Leite e PHD em Desenvolvimento Sustentável, Fábio Homero Diniz, conversam com a família do casal Marcos Paiva e Patrícia, que prepararam as filhas, Helena, Luiza e Rachel para assumir a Fazenda Baixadão, propriedade que produz café e leite, localizada no Sul de Minas.

Veja abaixo os destaques desta enriquecedora transmissão.

Celso Furtado Jr.

Observando as oportunidades certas é possível perceber o potencial para o agronegócio: econômico e de ampliação de mercado. Precisamos trabalhar com as projeções estatísticas e nos prepararmos para o futuro. O Brasil é considerado um país com condições de atender parte da demanda mundial e existem produtores rurais com muita experiência e capacidade. A tecnologia, hoje, é um atrativo para o jovem, que incorporada no negócio e à gestão, podem promover a prosperidade. Estudos acadêmicos mostram que quando se tem uma socialização primária maiores as chances de uma sucessão ser melhor preparada.”

Fábio Homero

A discussão é fundamental para os rumos da agropecuária do país. Fazendo um panorama, não queremos fazer sucessão como na Europa, em que quem sucede é o vizinho. Sucessão vai ter sucesso a partir do momento em que os jovens queiram. Com o leite, por exemplo, não há férias. A atividade é muito intensa. A partir do momento em que há tecnologias que minimizem a morosidade do trabalho, vai aumentando o rendimento e melhorando o retorno. A questão tecnológica é fundamental para desencadear o processo de sucessão com maior sucesso.”

Nas perspectivas de jovens de seis países, o interessante é que para eles é um estilo de vida dar continuidade ao trabalho da família, voltado para qualidade de vida, além do maior contato com o meio ambiente. Uma consultoria ajuda demais no processo de sucessão.”

 

Caso de Sucesso – Fazenda Baixadão

Marcos Paiva Frota, a esposa Patrícia e as filhas

Começou em 1993, como herança. O pai assumiu a parte gerencial e começou a infraestrutura da fazenda. Na época, tiravam 150 litros de leite e colhiam mil sacas de café.

Helena Nogueira Frota, médica veterinária

Em 2008 entrei na fazenda que produzia 1000 litros de leite. Comecei a ajudar e focamos mais no leite. Ainda não tinha as irmãs junto e imaginava como seria a interação de uma forma unida. Na necessidade, as irmãs se uniram e abraçaram para manter a atividade. Em 2016, a segunda irmã entrou e foi dar apoio ao café. Em 2018, fomos fazer o curso de sucessão e hoje temos um plano bem integrado com planejamento de crescimento. Produzimos quatro mil litros de leite e colhemos de 1700/1800 sacas de café por ano.”

Luiza Nogueira Frota, jornalista

Em 2017 fui para a fazenda. Sempre houve união e o foco em sustentabilidade. As duas atividades são certificadas, para conseguir um melhor espaço no mercado. Hoje, já tem planejamento de venda de café, trabalhamos com mercado futuro e negociamos direto com comprador internacional de café. O nosso foco é grande na responsabilidade social e ambiental e estamos pensando em novas propostas de comercialização.”

Rachel Nogueira Frota, fisioterapeuta

Desde 2018 ajudo os pais e irmãs na fazenda, na parte de gestão de café. Não foi uma decisão fácil, mas foi mais simples que imaginava. O acolhimento foi grande e foi tudo fluindo. Logo em seguida, comecei a fazer um curso de sucessão familiar, por estar em uma área bem distante da das minhas irmãs.”

Marcos (pai)

O processo de sucessão iniciou em 1993. Aos 14 anos, eu escutava meu pai falar que fazenda era indivisível. A maneira mais correta de partir para uma decisão foi agregar as filhas no negócio. O desgaste de uma propriedade rural é pesado. Quando tem sangue novo, o negócio muda da água para o vinho. O meu pensamento era bem menor que o que temos hoje. Ainda fico no dia a dia enquanto elas estão aumentando o tempo na fazenda, uma segunda fase, com maior dedicação.”

Patrícia (mãe)

Fico muito orgulhosa, convivo e ajudo muito a todos. O pai as deixa aprenderem com os próprios erros e fico muito feliz. É gratificante vê-las querendo fazer mais, progredir. Além se serem profissionais nas respectivas áreas, estão continuando a vida no campo. A sucessão não é fácil e depende de muito entendimento com as outras partes envolvidas para acontecer.”

Veja a live no vídeo abaixo:

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