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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020
Sustentabilidade: INAES finaliza curso piloto de Produção de Carvão no Sistema Fornos-Fornalhas
Josiane Moreira, de Sete Lagoas

Produtores rurais, técnicos de extensão da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e professores participaram de dois cursos realizados pelo Sistema Faemg / INAES com foco na produção de carvão mais sustentável na área da Unidade Demonstrativa do Sistema Fornos-Fornalha do Campus Sete Lagoas da universidade.

Os treinamentos são parte do Programa Siderurgia Sustentável, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD Brasil) e desenvolvido no município pelo Instituto Antônio Ernesto de Salvo (INAES). Além da Legislação Florestal, os alunos conheceram os tipos, modelos e carga dos fornos, limpeza do box, condução da carbonização, técnicas de resfriamento, armazenamento e descarga do carvão.  

De acordo com o instrutor do curso, Milton Pereira, o pequeno e médio produtores são os mais interessados e as vantagens são em qualidade de carvão, resistência mecânica, rendimento gravimétrico superior e menor custo. “O sistema chega para agregar valor ambiental e econômico. Inicialmente, o investimento é maior, mas os ganhos são incalculáveis, sem falar que um sistema desse, se operado da forma correta, pode chegar a 20 anos”. 

O analista técnico Ricardo Tuller, da Coordenadoria de Formação Profissional Rural (FPR) do Senar Minas, esteve no local para avaliação dos ajustes necessários do curso piloto e identificação do modelo ideal de treinamento. “Montamos o sistema do zero. Em dezembro, os alunos aprenderam a construir o sistema e, nesse segundo momento, foi a fase de operacionalização, com base na metodologia de ‘aprender a fazer fazendo’ do Senar, onde todos colocam ‘a mão na massa’”.

Segundo Tuller, a tecnologia, desenvolvida dentro da Universidade Federal de Viçosa (UFV), está sendo disseminada e fortalece o setor como um todo. No Brasil, o polo é em Sete Lagoas e a expectativa de que a mensagem chegue a milhares de produtores é grande. “A proposta é possibilitar a máxima produção do carvão vegetal, com mais qualidade e menor emissão de poluentes ao meio ambiente, com a substituição da fumaça (gás carbônico) pela água no momento da queima. Isso retorna tanto para a saúde, quanto para o bolso do produtor, que pode até ganhar mais mercados com o selo de carvão sustentável. Outro ponto é que esse sistema aumenta o rendimento e qualidade na produção de carvão, otimizando a área de floresta plantada, o que reduz o capital empatado por longo período”, explicou. 

“Fornos do futuro”

Apesar dos fornos serem constituídos basicamente por componentes simples, como tijolos, argamassa e cinta de ferro, o instrutor Milton enxerga o conjunto como “fornos do futuro”, de fácil manuseio e com ganhos superiores aos fornos de superfície ou tradicional. “Estamos falando de um avanço na forma de produção e o treinamento é importante para que os benefícios sejam reais. Para se ter uma ideia, o forno com 3 metros de diâmetro tem capacidade de produção de 6 a 7m³. O conjunto de 4 fornos produzirá entre 24 a 28m³ de carvão por vez (corrida), o equivalente a 112m³ por mês.

Gustavo de Oliveira, natural de Bocaiúva, é filho de produtor rural com experiência ativa em forno de carvoejamento ‘rabo-quente’, sistema que representa mais de 70% do modelo de produção de carvão vegetal no Brasil. Surpreso com os benefícios, ele pretende levar as vivências no curso para a propriedade do pai. “Como produtor de longa data, é possível que haja resistência ao vender a ideia. Mas pude comprovar a questão da poluição e menor esforço na operacionalização. É mesmo um novo jeito de fazer. Gostei muito”.

Confira nos vídeos depoimentos de participantes sobre os benefícios do curso:

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