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terça-feira, 3 de dezembro de 2019
Caso de sucesso: O mestre queijeiro de São Roque de Minas
Denise Bueno, de Passos

Roberto Carlos Soares, o Robertinho, é um dos mestres queijeiros mais premiados da região da Canastra. Morador de São Roque de Minas, Robertinho atualmente trabalha na Queijaria Rancho 4R e por ela já soma medalhas de Ouro, Prata e Bronze em concursos nacionais e na França. Com muita experiência - são 45 anos dedicados à atividade -, Robertinho também já passou pelas capacitações do Sistema Faemg/SenarMinas, realizadas pelo Sindicato dos Produtores Rurais de São Roque, como os cursos de Boas Práticas na Fabricação e Maturação.

A queijaria é, na realidade, a sua paixão: são 365 dias dedicados à atividade incansavelmente. Podemos dizer que a atividade é uma paixão da família, pois ele está na sexta geração que trabalha na produção de queijos com orgulho. Com tamanha dedicação e a arte de produzir o queijo Canastra nas mãos, as premiações chegariam com certeza.

Assim, em 2017, pela marca Tradição da Canastra, ele conquistou Ouro, Prata e Bronze no III Prêmio Brasil, em São Paulo. Em 2018 já estava na queijaria Rancho 4R e por ela conquistou 2 Ouros, Prata e Bronze no IV Concurso do Prêmio Brasil. Na França, no Concours Internacional Produits, em 2019, conquistou Ouro e Bronze e no Mundial de Queijos de 2019, realizado em Araxá, onde conquistou a medalha de Bronze. São muitos prêmios e a marca dessa qualidade ele guarda no braço, em uma tatuagem que representa a conquista.

“A nossa experiência no dia a dia conta muito para a conquista dessas premiações. Nós temos quatro estações e os queijos também sofrem as influências do tempo como o calor e frio. São muitas horas de dedicação e observação para termos um padrão de qualidade que agrada o consumidor”, ensina Robertinho. Ele também ressalta a importância das informações obtidas nos cursos do Senar que, somadas a sua experiência, contribuem para o resultado final dos queijos que produz. “O queijo se a gente não cuida, perde”.

Todo esse cuidado, somado às características de cada propriedade, alimentação, o famoso “terroir”, mais a genética do rebanho, faz que cada queijaria tenha o seu sabor diferenciado.  A experiência de Robertinho não é pequena. Por dia ele trabalha na produção de 35 a 40 peças de queijo, em um total de 480 litros de leite/dia. O trabalho ele realiza sozinho e bem. 

Sobre o sucesso atual do queijo Canastra, ele, que acompanhou quatro décadas da produção, destaca que quando o seu pai produzia a comercialização acontecia apenas uma vez por mês, quando os compradores passavam pelas queijarias e o valor do produto era baixo. “Na comparação, uma peça de queijo não pagava uma cerveja. Hoje, tudo mudou”, conta. Os queijos são comercializados no mínimo por R$ 60,00 a peça, mas, dependendo do tempo de maturação, esse valor pode chegar a R$ 120,00. Comparando com o preço médio atual da cerveja, daria para comprar pelo menos 10 garrafas.

Atualmente, com a força criada pela internet e o reconhecimento da qualidade do queijo, os compradores do queijo Canastra chegam de toda parte do Brasil e as queijarias se transformaram em pontos turísticos. Curiosamente, enquanto fazíamos esta reportagem, turistas chegavam à queijaria para a compra dos produtos.

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