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terça-feira, 13 de agosto de 2019
Prévia do PIB nacional indica recessão técnica
Por Ana Carolina Dias Schenk - Diário do Comércio
 
Um dos segmentos mais afetados no ano é a indústria, que encerrou o período de abril a junho com recuo de 0,7% - Crédito: Alisson J. Silva/ Arquivo DC Usada em 20-05-19
 
Um dos segmentos mais afetados no ano é a indústria, que encerrou o período de abril a junho com recuo de 0,7% 
 
Espécie de prévia do Produto Interno Bruto (PIB) do País, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) sinalizou recessão técnica da economia brasileira após encerrar o segundo trimestre com queda de 0,13%, registrando duas reduções consecutivas no ano.
 
Os números divulgados ontem pelo Banco Central apontaram ainda alta de 0,30% em junho sobre o mês anterior, uma forte desaceleração em relação à taxa de 1,1% em maio, segundo dado revisado que desconsidera os efeitos sazonais.
 
Na comparação com junho de 2018, o IBC-Br apresentou queda de 1,75% e, no acumulado em 12 meses, teve alta de 1,08%.
 
O segundo trimestre terminou com retração de 0,7% na produção industrial do País e, em junho, a redução foi de 0,6%. O volume de serviços recuou 1% e apresentou o pior resultado para o mês em quatro anos. Por outro lado, as vendas no varejo registraram ganhos de 0,1% no mês, mas ainda assim encerraram o segundo trimestre com queda.
 
Os dados do PIB do segundo trimestre serão divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 29 de agosto. No primeiro trimestre, a economia do Brasil teve recuo de 0,2% na comparação com os últimos três meses de 2018, segundo a instituição.
 
Para o economista-chefe da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Guilherme Almeida, a sinalização de uma recessão técnica pode levar uma mensagem negativa para os agentes econômicos em termos de formação de perspectivas para o andamento da economia no restante do ano.
 
“Esse resultado mostra que, pelo menos na primeira metade do ano, as políticas fiscais e monetárias ainda não surtiram efeito para possibilitar um crescimento econômico mais consistente. Essa queda leva a uma leitura negativa por parte dos agentes econômicos e as perspectivas e confiança que esses agentes têm para os próximos seis meses tendem a ser negativamente afetadas”, afirma.
 
No entanto, Almeida ressalta o peso da sazonalidade para o comércio, que, historicamente, tende a apresentar melhores resultados no segundo semestre devido à concentração de importantes datas comemorativas, injeção de renda na economia via 13º salário e geração de empregos temporários no fim do ano.
 
“Apesar desse resultado negativo no primeiro calendário, existem alguns fatores que colaboram para aumentar a atividade econômica do comércio e ainda levam certo otimismo para os empresários no segundo semestre”, enfatiza.
 
O economista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Eudésio Eduim da Silva, também ressalta que a economia do País efetivamente não está em recessão, mas que os indicativos apontam para essa possibilidade caso ocorram eventos, no curto prazo, que possam reverter a situação econômica.
 
Ele destaca ainda que, do ponto de vista da oferta, todos os setores se comportaram aquém do esperado. A indústria e o setor de serviços apresentaram variação negativa enquanto o comércio se manteve estável. Sendo assim, embora o consumo das famílias tenha melhorado de maneira moderada, os investimentos seguem estagnados.
 
“A conjuntura como um todo tem mostrado que a confiança do empresário na economia está muito baixa e, se ele não investir, provoca reflexos no mercado de trabalho. Não existe uma perspectiva de curto prazo para melhorar de maneira significativa a taxa de desemprego”, alerta.
 
Agronegócio – Na análise da coordenadora de assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso, a atuação do governo federal tem sido eficaz, com estratégias para buscar um direcionamento e sinalização melhores. Para ela, são necessárias medidas com foco em equilíbrio fiscal, competitividade, melhora de serviços e liberalização econômica para melhorar o ambiente econômico e permitir que os produtores invistam e tenham condições de continuar atendendo às demandas.
 
“Qualquer sinalização ou investimento realizados provocam uma resposta positiva devido a toda a produtividade e o sustentáculo que o setor produtivo e o agronegócio têm nos últimos anos. Por isso são necessárias essas ações positivas para criar um ambiente melhor na economia e dar continuidade aos investimentos e reverter essa situação”, comenta.
 
Ela lembra que a previsão de crescimento para o PIB no ano ainda é positiva e acredita que o agronegócio tem muito a contribuir nesse sentido. Outro ponto importante para Aline Veloso são medidas que busquem a geração de empregos e a formalização de micro e pequenas empresas, além da disponibilidade de recursos que pode influenciar positivamente o consumo voltado para alimentação ou produtos vinculados ao setor.
 
“Quanto mais pessoas entram para o mercado de trabalho, a disponibilidade de recursos para as famílias aumenta e elas consomem mais, o que também vai acontecer com a liberação do FGTS. Como nosso setor responde rapidamente às demandas que são feitas, acreditamos que, aumentando a disponibilidade de renda, nossa oferta de produtos aumenta e há uma melhora como um todo”, diz.
 
Reformas ganham urgência após indicador
 
Nesse contexto de recessão técnica da economia, as reformas se tornam mais urgentes na avaliação do economista da Fiemg, Eudésio Eduim da Silva. No entanto, ele ressalta que a mudança envolve mais medidas.
 
“Apenas a reforma da Previdência não é suficiente para alavancar o crescimento da economia. Ela pode ajudar a reverter a tendência do aumento da dívida pública, mas a situação exige outras reformas, como a tributária, que vai influenciar a produtividade”, afirma.
 
A percepção positiva na pauta da Previdência evidencia a importância de atuar nos problemas estruturais e passar também por uma reforma tributária, de acordo com o economista-chefe da Fecomércio-MG, Guilherme Almeida.
 
“O andamento das reformas acende o alerta para os problemas estruturais que o Brasil possui, não somente na carga tributária, mas nos investimentos em infraestrutura, investimentos produtivos, redução da capacidade ociosa da indústria. São problemas que já vêm no cenário econômico do País e que devem ser de fato revisitados”, explica.
 
Os encaminhamentos de acordos internacionais por meio de um ambiente institucional e com confiança no cenário econômico são importantes na percepção da coordenadora de assessoria técnica da Faemg, Aline Veloso.
 
“As reformas e outras articulações políticas positivas ajudam a gerar um ambiente mais favorável, com acordos melhor organizados e direcionados para atendermos demandas tanto nacionais quanto do comércio internacional”, ressalta.
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