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quarta-feira, 7 de agosto de 2019
Amecafé Mantiqueira recebe certificado pela Rainforest Alliance – é o primeiro no mundo conquistado por um grupo apenas de mulheres cafeicultoras
Lisa Fávaro, de Lavras

As produtoras associadas da Amecafé Mantiqueira têm conquistado espaço no mercado nacional e internacional. Com o apoio de treinamentos e programas do Sistema Faemg / Senar Minas, a associação de mulheres cafeicultoras do Sul de Minas, conquistou este ano, o certificado socioambiental Rainforest Alliance, da IMAFLORA Certificações. Essa é a primeira certificação no mundo dada a um grupo só de mulheres produtoras de café.

O selo que recebeu foi desenvolvido pela Rede de Agricultura Sustentável, que tem a participação de organizações internacionais conservacionistas e independentes. Ele define as boas práticas agrícolas, que causam menos danos para a saúde do homem, do trabalhador envolvido na cadeia produtiva e o cuidado com as questões ambientais.

“Conseguimos a certificação da Rainforest Alliance com um grupo de dezessete mulheres. Começamos do zero; desde a parte social, até a ambiental. Somos o primeiro grupo de mulheres do mundo a conseguir essa certificação”, conta a presidente da Amecafé Mantiqueira, produtora e mobilizadora da Regional de Lavras do Sistema Faemg / Senar Minas Iraci de Fátima Inácio Carvalho.

Iraci diz que foi um processo cansativo, desgastante, preocupante, porque se houvesse uma falha nos critérios exigidos por eles, todo o grupo seria eliminado. Uma das etapas mais exigidas foi o uso de agrotóxicos. A parte de capacitação técnica também foi bastante avaliada, mas nesses quesitos elas contaram com o apoio do Senar Minas, por meio do gerente Wander Magalhães e sua equipe, que atendeu com treinamentos exigidos pela certificação.

“Os certificados do Senar Minas são valorizados e aceitos em qualquer processo de certificação. Agradecemos imensamente por essa colaboração.  A maioria não tinha casinhas de agrotóxicos, fossa séptica. E num prazo de três meses, tivemos que nos adequar às normas, desde o CAR até licença ou dispensa ambiental. A associação teve também o apoio da Fundação Hanns Neumann”, conta Iraci.

A produtora Talita Iris Martins dos Santos Silva, está na associação há um ano. Ela conta que descobriu os mistérios da cafeicultura e se apaixonou pelo café. “Sou casada com um produtor há oito anos e nunca tive interesse pelas lavouras, mas hoje não abro mão do cultivo por nada. Tive forças para levantar a cabeça, enfrentar os obstáculos de ser mulher numa cultura tão machista, ganhar meu espaço aos poucos e hoje ter, além da atenção, a admiração de muitos. Trato meu café como alimento, penso diferente sobre a sua qualidade e os seus sabores, e me encanto cada dia mais, pois aprendi que ser cafeicultora é sempre estar adquirindo conhecimento. A Amecafé mudou a minha visão, mudou meu paladar, mudou meus sentidos, aumentou meu grupo de amizades e me dá conhecimento e esperanças de uma vida muito melhor, não só pra mim, mas para o futuro de todas nós mulheres envolvidas na produção do café. Mudou a minha vida”, relata.

Janaína Aparecida Quitéria Magalhães também é associada. Ela diz que, fazer parte do grupo propicia uma melhor qualidade de vida para a família e que, através dos cursos de capacitação está cada vez mais fortificada no trabalho. “Unidas Somos Mais. Esse é o lema que nós usamos na associação. Buscamos forças umas nas outras para conquistar os nossos objetivos na agricultura familiar; buscamos a valorização do nosso produto, o café, é o grão que dá o sustento para as nossas famílias. Por isso a necessidade da sua valorização para que possamos crescer e dar uma vida digna aos nossos filhos. E buscamos também a valorização da mulher no trabalho da cafeicultura direta ou indiretamente”.

Amecafé Mantiqueira

A associação foi fundada em 10 de maio de 2017. Tudo começou com as sócias fundadoras Leila Lemes e Margarida Santos, que na época, eram apenas 28 associadas; todas já pertencentes ao subcapítulo da IWCA Mantiqueira. A Amecafé Mantiqueira é uma associação que representar as mulheres envolvidas diretamente na cadeia produtiva do café.

Os objetivos principais são melhorar a renda e a qualidade de vida dessas mulheres cafeicultoras e de suas famílias. Para tanto, o grupo busca algumas estratégias de crescimento como: capacitação técnica, treinamentos específicos, participação em feiras, visitas técnicas, dias de campo, palestras e workshops, eventos direcionados ao agronegócio café, capacitações nas áreas de gestão de negócios, em saúde e financeira.

Atualmente a associação conta com 153 cafeicultoras, todas estão inseridas na área geográfica da Serra da Mantiqueira, podendo fazer parte das 25 cidades, devido ao selo de procedência. Hoje, as produtoras associadas são dos municípios de Heliodora, Lambari, Cristina, Pedralva, Olímpio de Noronha, Cambuquira, Baependi e São Gonçalo do Sapucaí. A sede funciona na cidade de Heliodora, MG.

“Nossos projetos não param. O da construção da sede já está sendo feito. Nós também já exportamos os nossos cafés para os países como Inglaterra, Estados Unidos, Noruega, Hon Kong e atualmente para a Itália. Nosso propósito é expandir cada vez mais e abrir novos mercadores exteriores em outros países”, ressalta Iraci. 

O desejo do grupo é também continuar com as capacitações técnicas. As cafeicultoras acreditam que, só assim vão conseguir produzir cafés de qualidade, de excelência. Em concursos passados teve produtora que recebeu 88,5 pontos pelo café produzido. “Nós queremos é isso. Fortalecimento no campo, no mercado cafeeiro, sucessão familiar, enfim, oferecer mais qualidade de vida para todas, para que possam permanecer em suas propriedades e sustentar suas famílias por meio do café”, conclui Iraci.

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