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quarta-feira, 31 de julho de 2019
Produtores mineiros de café amargam prejuízos com geadas
Sistema Faemg

Diário do Comércio
Por Michelle Valverde

As geadas que atingiram os cafezais em Minas Gerais, no início de julho, causaram prejuízos diversos que também serão sentidos na safra 2020. Ainda não é possível calcular o valor dos danos, porém, os grãos que ainda não haviam sido colhidos tiveram a qualidade prejudicada e o comprometimento da capacidade produtiva das plantas deve impactar de forma negativa a safra 2020.

Para o período atual, que já era de baixa produção devido à bienalidade negativa da cultura, existe grande chance da quebra de safra ser maior que os 20% estimados inicialmente pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O efeito de mais uma intempérie climática sobre a produção de café de Minas Gerais compromete ainda mais a renda do produtor. Hoje, a saca de 60 quilos é vendida em torno de R$ 400 e os custos de produção estão próximos a R$ 500.

De acordo com o engenheiro agrônomo Guy Carvalho Ribeiro Filho, a geada foi mais um fenômeno negativo para a cultura do café em 2019.

“Tivemos um mês de janeiro muito quente e com chuvas irregulares; neste período faltou água para as plantas. Já em fevereiro, tivemos um mês extremamente chuvoso e o excesso de água também prejudica as plantas. Somando a isso, em julho, tivemos frio intenso e geadas que queimaram as lavouras localizadas em áreas de pouco escoamento de ar e menor altitude. Havia muitos anos que esse tipo de geada não atingia as regiões e, devido a isso, muitos produtores investiram no plantio do cafezal nessas áreas”, explicou.

Ainda segundo Ribeiro Filho, a soma de problemas prejudicou as lavouras, que, com o avanço da colheita, vêm mostrando reações como a desfolha muito intensa, o que mostra que o potencial produtivo para a safra 2020 pode ser reduzido.

“Este ano, o relato dos cafeicultores são de problemas como o menor rendimento da safra. A peneira está menor, o que afeta a qualidade do grão e, consequentemente, a renda do produtor”, disse.

Regiões impactadas – As lavouras de café mais afetadas pela geada estão localizadas, principalmente, no Sul de Minas Gerais, que é a maior região produtora do Estado. Dentre os municípios, os mais atingidos foram Nova Resende, São Pedro da União, Conceição Aparecida e Bom Jesus. Também foram afetadas, porém com menor intensidade, as lavouras de Cabo Verde, Poços de Caldas e Guaxupé.

Os produtores, para tentar minimizar os efeitos negativos da geada, precisam tomar alguns cuidados com as lavouras. De acordo com Ribeiro Filho, o ideal é que, nos primeiros 30 a 40 dias após as geadas, não seja feito nada nas lavouras. Este período é essencial para esperar a reação da planta. Após o intervalo, é importante chamar um técnico, que irá avaliar as condições e definir se existe a necessidade de poda ou não.

“Se parte do arbusto ficou comprometida, será necessário fazer a poda para a planta regenerar. Se a poda for drástica, o cafeeiro não terá condição de produzir na safra que vem. De toda forma, mesmo nas áreas atingidas de forma mais leve, haverá o comprometimento do potencial produtivo para a próxima safra. Existe todo um pacote tecnológico que o cafeicultor pode adotar para tentar reduzir as perdas e permitir a recuperação, cuidando da nutrição e da sanidade das plantas”, disse Ribeiro Filho.

PRODUTOR AGUARDA PARA RECUPERAR CAFEZAL

Venerando Carvalho Resende foi um dos cafeicultores que teve as lavouras atingidas pela geada. Com produção localizada no município de Conceição Aparecida, no Sul de Minas Gerais, o produtor aguarda o período de 30 a 40 dias necessário para a reação das plantas para avaliar e tomar as primeiras providências para recuperar o cafezal.

“Fomos muito penalizados pela geada e estamos aguardando para ver qual será a reação das plantas. Fora o problema da geada, as lavouras continuam sendo prejudicadas pelo frio. É uma situação muito difícil”, afirmou Resende.

Ainda segundo ele, a geada veio agravar ainda mais o cenário. A safra atual, que já seria menor, foi ainda mais prejudicada pelo clima e pela queda dos grãos. A área afetada pela geada tem alta tecnologia implantada e é composta por plantios com idades de 4 anos, 3 anos e 1 ano. Em algumas delas, parte da colheita já havia sido feita.

“Vamos fazer o repasse da máquina para tentando pegar o café que ficou no chão. Essa é uma safra para esquecer. Além disso, os preços do café estão ruins e não cobrem os custos. Com a queda do café, perdemos qualidade e a produção de cafés especiais também foi prejudicada. Ainda enfrentamos o clima seco e frio, que continua prejudicando o cafezal”, disse.

SETOR BUSCA AJUDA DO GOVERNO FEDERAL

A geada que atingiu os cafezais em Minas Gerais veio agravar ainda mais a situação financeira dos cafeicultores. Para amenizar os problemas e dar novo fôlego aos produtores, representantes do setor estão em negociações com o governo federal para a criação de medidas que sejam realmente efetivas para o setor. Porém, a demora nas decisões é um desafio a ser superado.

As negociações foram iniciadas há alguns meses, tendo como base os problemas já enfrentados pelo setor e que agora foram agravados e precisam de ações rápidas. Um dos principais desafios são os preços baixos pagos pelo café. Hoje, a saca de 60 quilos é vendida em torno de R$ 400, enquanto os custos de produção do mesmo volume estão em cerca de R$ 500. Mesmo com as negociações em curso há meses, o governo federal ainda não deu respostas ao setor.

Para o vice-presidente de finanças da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e presidente das comissões de cafeicultura da Faemg e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita, o momento para se fazer alguma coisa é agora.

“Três meses antes do início da colheita, já estávamos trabalhando em busca de um mecanismo que garanta renda para o produtor e discutindo o assunto junto ao governo federal. Com a geada e o clima desfavorável, essa negociação se torna ainda mais importante. Precisamos de soluções para que o produtor possa diminuir a dificuldade que vem enfrentando. Já colhemos cerca de 80% da safra e os preços continuam abaixo do custo. Estaremos, no dia 5 de agosto, em Brasília, discutindo com o governo para que sejam implementadas políticas que consigam equilibrar essa bagunça que virou o mercado do café”, disse Mesquita.

Dentre os assuntos discutidos está a possibilidade de uma linha de crédito que permita ao cafeicultor um prazo de dois anos a três anos de carência, para conseguir continuar a produzir.

Ainda segundo Mesquita, com a geada e a manutenção do frio nas áreas produtoras, há possibilidade de que a quebra de 20% prevista inicialmente na safra de Minas Gerais deve ser superada, com o comprometimento de um volume maior e impactos negativos na safra 2020.

“A queda maior na safra já é uma coisa que aconteceu e vamos precisar de algum tempo para quantificar. Muitos produtores de regiões diferentes estão relatando perdas superiores a 20% frente ao ano passado. É uma situação que nos preocupa muito. Com o advento das geadas e dos demais problemas climáticos, haverá consequências negativas na safra 2020. Aquilo que estávamos esperando, uma safra muito boa em 2020, é provável que não aconteça”.

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