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domingo, 31 de dezembro de 2017
Promoção Social: Aposta na prevenção
Revista FAEMG / SENAR - n.º 27 - 2017

Muito solicitado, curso de Saúde Reprodutiva leva conhecimento para jovens lidarem de forma saudável com sua sexualidade

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a adolescência vai dos 10 aos 19 anos – a fase é de autoconhecimento, descobertas e formação do futuro. No entanto, é uma época que também traz inseguranças, solidão e muitas dúvidas, especialmente sobre a vida afetiva e sexual.

Segundo instrutores, professores e pais, o curso de Saúde Reprodutiva, realizado pela Coordenadoria de Promoção Social (PS) do SENAR MINAS, tem sido de grande ajuda na orientação de adolescentes e jovens para que lidem com sua sexualidade de forma segura e saudável.

O curso inclusive estreita os laços entre a escola, os jovens e seus pais, que a princípio ficam receosos, mas depois retornam para dizer o quão o treinamento foi importante para tirar dúvidas que até eles tinham e abrir uma ponte para o diálogo com os filhos.

De acordo com a instrutora Nycole Israel do Nascimento, enfermeira que há quatro anos atua no curso, o perfil dos alunos varia muito de região para região, mas geralmente são meninos e meninas com muitas dúvidas e sem abertura para conversar sobre o tema em casa ou na escola.

Ela conta que o principal questionamento de todos é com relação à internet. “Hoje a rede tem informações boas e ruins, e eles têm dificuldades para filtrar o que é certo ou errado. Quem ajuda a fazer esse filtro são os instrutores. Também têm muitas dúvidas sobre menstruação e sobre a primeira relação sexual. Temos que ir desmistificando tudo com muito cuidado, porque muitos trazem isso de tradições de família, que eles ainda seguem”, detalha.

Alunos da E. E. de Monte Azul: curso de Saúde Reprodutiva faz os jovens terem mais cuidado consigo e se abrirem para questões como respeito ao outro e machismo

Mudança de comportamento

“Os adolescentes gostam, porque tem mais liberdade para perguntar. Todos têm oportunidade de discutir e aprender”, reforça Maria Celeste Pereira Maurício, vice-diretora da Escola Estadual de Monte Azul de Ensino Fundamental e Médio, no município de mesmo nome – que, inclusive, foi a que mais solicitou o curso, de acordo com informações da PS. “Já realizamos várias turmas e estamos com uma lista aguardando a abertura de mais vagas. Os instrutores são ótimos e bem preparados, daí os alunos gostam bastante, falam uns para os outros, e a demanda aumenta”, explica.

A escola é a maior do município e tem cerca de 820 alunos. Lá também são desenvolvidos projetos para discutir sexualidade, mas a vice-diretora conta que o curso tem muito mais ferramentas para os alunos se aprofundarem. "A partir dos cursos eles ganham mais conscientização, passam a cuidar melhor do próprio corpo. Os adolescentes ficam mais bem preparados, lá no futuro você vê as mudanças. É importante conscientizar, o que não pode é parar”.

A enfermeira Nycole vai além: “os alunos são muito receptivos e começam a encarar a questão da sexualidade de maneira diferente. Eles também se abrem mais para a questão da mulher, abrem mão do machismo que às vezes vem da família. Compreendem as mudanças e os sofrimentos delas”, diz. A pornografia, amplamente presente na internet, também é desmistificada no curso. “Os meninos, principalmente, entendem que aquilo que eles veem na internet não é bem assim, não é real, e ficam menos agitados”.

A vice-diretora Maria Celeste (à esquerda) com alunos da E. E. de Monte Azul e seus certificados do curso: liberdade para perguntar e questionar nas aulas

Gravidez precoce

A gravidez na adolescência é outro desafio que o curso vem ajudando a enfrentar com resultados satisfatórios. Em Vargem Bonita, por exemplo, município de 2 mil habitantes no sudoeste de Minas, o Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) informa que, nos últimos cinco anos, não foram registrados casos de adolescentes grávidas entre as 100 participantes do treinamento – antes das aulas, essa era uma situação frequente.

O Ministério da Saúde não tem dados sobre gestação na adolescência especificamente no campo, mas informa que a gravidez entre 10 e 19 anos reduziu 28,8% nos últimos 15 anos. Em 2015, foram 533.893 bebês nascidos vivos por partos de adolescentes (18,1% do total de partos – dados preliminares), sendo que no ano 2000 foram registrados 750.537 bebês nascidos vivos por partos de adolescentes (23,4% do total). Além dos riscos para a saúde, a gravidez precoce leva muitas meninas a pararem de estudar, e dificulta sua inserção no mercado de trabalho depois.

Na percepção da instrutora Nycole do Nascimento, a gravidez precoce vem diminuindo - mas continua acontecendo porque os jovens, apesar de terem conhecimento sobre como se prevenir, deixam de usar os métodos contraceptivos por vergonha de falar com os pais e também para desafiá-los. “Alguns pais têm receio dos filhos participarem do curso e se sentirem incentivados a isso, mas na verdade o que a gente quer é justamente retardar essa situação, por isso a gente discute muito sobre gravidez na adolescência”, frisa.

 

Curso de sucesso

Desde seu lançamento, em 1999, até abril deste ano, já foram realizados 2.871 cursos, com resultados muito positivos. A previsão para 2017 é de outros 300 eventos. Em muitos municípios, há lista de espera para as próximas turmas, com interesse até de adolescentes que ainda nem tem a idade mínima para participar.

O treinamento é direcionado às faixas etárias de 15 a 17 anos e a partir de 18 anos. A carga horária é de 24 horas, nas quais os participantes recebem informações sobre o sistema reprodutivo humano, métodos contraceptivos, sexualidade, planejamento familiar e outros temas.

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