até
domingo, 31 de dezembro de 2017
Artesanato: Beleza Rústica
Revista FAEMG / SENAR - n.º 25 - 2017

A combinação entre técnicas de artesanato com fibras naturais e madeira mais o resgate de histórias e tradições locais no município norte mineiro de Capitão Enéias, a 471 quilômetros de Belo Horizonte, está gerando trabalho, renda e reconhecimento a um grupo de artesãos que passou pelas aulas do SENAR MINAS.

Trabalhando sob o nome Capitania das Fibras, o grupo de 15 pessoas tem como principal representante a artesã Erenice Rocha. Eles começaram com o artesanato em fibra de bananeira, mas logo passaram a mesclar a técnica com outras artes, utilizando madeira e papel, por exemplo. Hoje, o grupo produz cestos, caixas de vinho e de chá, descansos de panela, abajures, baús, jogos americanos e luminárias, e participa de feiras por todo o país.

Erenice (ou Nice, como também é conhecida), conta que trabalhava com o tear, mas decidiu procurar uma técnica que desse mais retorno: “Começamos então a trabalhar com a fibra de bananeira e passamos para a fibra processada, a madeira, o papel e outras técnicas que o SENAR nos ensinou. Desde então estamos sempre estudando e buscando novidades para oferecer, e criamos a Associação dos Artesãos de Capitão Enéas para ajudar nas vendas e facilitar a participação em feiras”.

Sucesso comercial

A artesã conta que a aceitação das peças tem sido muito boa e o grupo vem realizando vendas para lojas e pessoas físicas de Montes Claros, Belo Horizonte e para outros estados. Recentemente, eles foram sondados por um cliente do exterior, mas Nice revela que a proposta ainda está sendo estudada com cuidado, pois o grupo não sabe se conseguirá atender.

Atualmente, a Capitania das Fibras conta também com o apoio do Sebrae-MG, que providenciou cursos de gestão e de plano de negócios. A entidade também os orientou sobre design, processo de criação e comercialização das peças. “O Sebrae nos orientou a vender os produtos para fora da cidade e a participar de feiras. Hoje, nossa maior clientela está em Belo Horizonte", afirma Nice.

A artesã também cita a EMATER ao relembrar os parceiros na caminhada da Capitania das Fibras. A entidade realizou oficinas para a associação de artesãos e ajuda, por meio do sindicato rural, na participação do grupo em feiras.

Os casulos

Todas as peças chamam a atenção pela originalidade e beleza, mas a que deu início à fama do grupo foram os casulos de marimbondo, que são utilizados como luminárias e caíram no gosto de arquitetos e decoradores. As peças são feitas com telas de galinheiro revestidas com uma polpa produzida a partir da mistura da fibra com a palha da bananeira.

Nice explica que os casulos também carregam a história dos quintais de Capitão Enéias. “Percebemos que as telas de galinheiro ficavam jogadas nos quintais, sem uso. Começamos a pedi-las e vimos que cada quintal tinha uma história pra contar e fomos usando isso nos trabalhos.”

Esse resgate da história e valorização da cultura local vem sendo reforçado nos cursos de Artesanato e Alimentação do SENAR e também está estampado em outras peças, como em uma miniatura de casa de pau a pique (técnica de construção de paredes em que uma armação de madeira é preenchida com barro): “Capitão Enéias é uma cidade muito pequena, muito simples, e todo morador tem na memória uma casa feita assim. Eu mesma me lembro da casa em que eu nasci, de todo mundo colocando o barro nas paredes”, recorda.

Homenagem ao SENAR

A partir da esquerda: Rhaavi Dionísio, Antônio do Carmo Neves, Erenice Rocha e José Belas, com as peças da Capitania das Fibras

Durante sua participação na 27ª Feira Nacional de Artesanato, realizada entre os dias 6 e 11 de dezembro no Expominas, em Belo Horizonte, Erenice Rocha esteve no estande do Sistema FAEMG. Ela entregou ao superintendente do SENAR MINAS Antônio do Carmo Neves e ao coordenador de Promoção Social, José Belas Gonçalves, algumas peças feitas pela Capitania das Fibras como forma de reconhecimento e homenagem pela importância do SENAR na capacitação dos artesãos, já que foi a partir de um curso ministrado pelo instrutor Rhaavi Dionísio de Souza que tudo começou.

A caixa de madeira e palha trançada, a casinha de joão-de-barro e a miniatura de casa de pau-a-pique impressionaram pela beleza e qualidade, angariando elogios de Antônio do Carmo e José Belas ao trabalho e a organização do grupo. Para Belas, o sucesso das peças, demonstrado pelo interesse de grandes lojistas do Brasil e pela participação dos trabalhadores em tantas feiras do setor, “é um exemplo de determinação.”

A técnica por trás da beleza

O preparo da fibra da bananeira é feito de modo artesanal. Os artesãos dividem o trabalho desde o corte no bananal até a separação das fibras, passando pela desencapagem do tronco, corte e lavagem. O que não serve para fazer a palha vira a massa processada para os casulos e outras peças. A palha é utilizada em sua cor natural, mas Nice explica que ela pode ser descolorida ou tingida se a peça exigir.

Os artesãos retiram os resíduos e lavam as palhas com vinagre, para higienizar e evitar fungos. Esse processo dura dois dias e, após a secagem das fibras, elas estão prontas para serem trançadas. Outros integrantes trabalham com a madeira usada na montagem das estruturas das peças e, a partir daí, os materiais já estão prontos para serem transformados nos produtos.

Serviço:

Capitania das Fibras– contatos com Erenice pelo (38) 99927-9015 ou pela página do grupo no Facebook: www.facebook.com/capitaniadasfibras

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