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domingo, 31 de dezembro de 2017
ABC Cerrado: Vitória sobre a seca
Revista FAEMG / SENAR - n.º 27 - 2017

Iniciado em Minas Gerais pelo SENAR MINAS em 2015, o Projeto ABC Cerrado só tem a comemorar. Com resultados já consolidados, ele comprovou que o investimento em sustentabilidade pode, sim, andar junto com produtividade e lucratividade.

José Paulo Matias, produtor de gado de corte especializado em cria há mais de 30 anos, do município de Arinos, sofria com a falta de alimento para o rebanho na época da seca. Proprietário da Fazenda Canaã, ele conta que em 2016 teve que alugar pastos, comprar silagem e chegou a perder animais debilitados pela estiagem.

A partir da esquerda: o técnico Marcílio Alisson, o supervisor do ABC Cerrado Rodrigo Vargas e o produtor José Paulo Matias: organização e orientação técnica seguidas à risca

Ele ainda não conhecia o projeto, do qual soube por meio de uma das filhas. “Minha filha conhecia o técnico e me contou, disse que ia me inscrever. Acontecia sempre de perdermos animais, era difícil”, relembra.

O objetivo do pecuarista era melhorar o plantel de 300 matrizes nelore quando começou a ser atendido pelo técnico Marcílio Alisson de Almeida, no final de 2016. Dentro da tecnologia de Recuperação de Pastagens Degradadas – uma das quatro trabalhadas no ABC Cerrado -, traçaram a meta de alimentar o rebanho para que os animais não perdessem peso ao longo do ano e com isso melhorar o índice reprodutivo e permitir a venda de animais de descarte para abate dentro das condições ideais.

Além do esperado

Bastaram cinco meses para a colheita vir acima do planejado: de acordo com Marcílio, o pasto foi totalmente recuperado ao custo de R$ 1.890,00 por hectare e, com um consórcio de sorgo com capim mombaça, eles geraram 45 toneladas de silagem por hectare. “Este é um grande exemplo de organização e orientação técnica seguidas à risca”, elogia o técnico.

Plantação de sorgo em curva de nível na fazenda de José Paulo“As 1.350 toneladas de silagem que produzimos permitem alimentar e engordar os 300 animais durante 150 dias, período maior que o da seca na região. E, se o José Paulo fosse vender a silagem a preço de mercado [R$ 120,00 a tonelada], teria ainda retorno líquido de cerca de R$ 100 mil, já descontada a implantação da pastagem formada”, detalha Marcílio.

José Paulo Matias é só elogios para o trabalho realizado e disse que pretende continuar aplicando as técnicas que aprendeu, para melhorar cada vez mais: “Realmente o programa é muito bom, nos incentiva bastante. Para mim foi muito interessante e gratificante trabalhar com a equipe, que é ótima”.

Resultados animadores

Segundo o analista técnico de Formação Profissional do SENAR MINAS Caio Sérgio Santos e Oliveira, coordenador do projeto ABC Cerrado no estado, o objetivo da primeira fase, que era recuperar as pastagens degradadas, foi alcançado com sucesso: “O cenário do inicio do projeto era um em que 80% ou mais dos produtores tinham situação de degradação em suas propriedades. Após as capacitações e o andamento da assistência técnica, pudemos reverter de forma gradativa esse cenário e hoje muitos produtores assistidos já têm áreas de implementação de silagem, de consorciação de pastagem com lavoura e adoção de práticas conservacionistas”.

Caio conta que o feedback dos produtores é de enorme satisfação, pois eles estão vendo na prática e vivenciando os resultados que só conheciam na teoria. “Temos vários exemplos de produtores que estão conseguindo melhorar sua capacidade produtiva, otimizando as áreas de produção; produtores com incremento na rentabilidade da produção agregando valor às suas atividades; produtores que estão indicando parentes e vizinhos para participarem da segunda fase, e muitos outros casos de sucesso”, enumera.

Trabalho continua

A primeira fase do ABC Cerrado ainda vai até 2018, mas a segunda já está aberta, visando a agregar novos produtores ligados à cadeia da pecuária de leite e de corte ao projeto. “Estamos tendo uma boa aceitação e boa procura. Nossa meta é inscrever 540 produtores. Vamos continuar trabalhando na mesma região [Norte de Minas], agregando mais alguns municípios”, explica Caio. Essa fase vai continuar focando na recuperação de pastagens degradadas, que, de acordo com o analista de FPR, foi o maior problema identificado na pecuária.

A expectativa é o produtor começar no projeto pela recuperação de pastagens e ir ‘caminhando’ pelas outras tecnologias (veja infográfico). “Estamos estudando a forma de conduzir essa jornada tecnológica dentro da propriedade assistida. Estruturamos isso para fazer o produtor realmente se engajar no projeto ABC Cerrado”, conclui Caio.

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