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terça-feira, 14 de novembro de 2017
Nova invasão chinesa e uruguaia
Estado de Minas

O alívio com os primeiros sinais de recuperação da indústria durou pouco nas fábricas de tecidos e roupas de Minas Gerais. Não bastasse o esforço para reerguer as vendas, afetadas por uma crise que se prolonga desde 2014, e aproveitar a onda recente de recuperação da economia, a guerra comercial volta a atormentar. Nova invasão chinesa tomou corpo no mercado brasileiro este ano, já captada pelo avanço surpreendente das importações de tecidos de malha e de roupas.

O alerta sobre os desembarques no país soou também nas fazendas leiteiras e laticínios, diante do volume de ingresso de leite do Uruguai. As três cadeias produtivas de grande peso na atividade econômica em Minas pedem investigação de dano na concorrência, mas com pouca convicção de que o governo tomará atitude para barrar a mercadoria estrangeira. Além das exigências e complexidade decorrentes da própria natureza dos processos antidumping, são setores caracterizados por uma grande pulverização de empresas, fator que dificulta o pleito, lembra Flávio Roscoe, presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis de Malha de Minas Gerais.

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit) comunicou ao governo que suspeita de prática irregular nas importações de vestuário, que só em outubro aumentaram 90,13%. A entrada expressiva do produto importado foi sentida tanto no tecido que é matéria-prima da confecção quanto na roupa pronta. Roscoe diz que o aumento das importações chegou a 30% de janeiro a outubro, percentual considerado elevado demais para uma indústria e uma economia que tentam se recuperar da baixa do consumo.

“Se o impacto é grande na fabricação de tecidos, que é um dos elos da produção, na roupa pronta falamos de produto final, é aí que se mata uma cadeia produtiva inteira”, reclama Roscoe. O fortalecimento do inimigo comercial vem num momento em que a indústria têxtil reage à crise. De janeiro a setembro, a produção da indústria de produtos têxteis avançou 12,8%, marcando a segunda melhor posição entre os segmentos que mais contribuíram para a expansão de 1,6% do ritmo das fábricas mineiras frente aos primeiros nove meses do ano passado.

As críticas à retomada das importações de leite em pó do Uruguai têm fundamento semelhante. Não é que os produtores brasileiros queiram reserva de mercado, mas a defesa contra práticas desleais de concorrência, tem dito Rodrigo Alvim, presidente da Comissão Nacional da Pecuária de Leite da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). “Vamos continuar mostrando ao governo que isso é concorrência predatória. Não é proteção de mercado que pregamos. A defesa diante de práticas desleais é que estimula a produção interna”, afirma.

Sobre a polêmica, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, missão oficial enviada àquele país constatou que não há risco sanitário proveniente do produto, e faltaria produção nacional suficiente para atender ao consumo. A discussão recomeça num momento em que os produtores brasileiros trabalham pela prorrogação do direito antidumping conquistado no começo dos anos 2000 contra as compras de leite da Europa e da Nova Zelândia.

Falta entender também a lógica com a qual o governo trabalha no caso. “Se o governo quer mesmo fazer um grande esforço para melhor a economia, num período de consumo em baixa, não é importando leite do Uruguai para concorrer com o produto nacional que vai conseguir”, resume Alvim, que é diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais.

Mais grave do que se imagina

Para Flávio Roscoe, o país enfrenta um sério problema na base do seu posicionamento ante a concorrência, que é anterior às especificidades de um ou outro setor da economia abalados pela competição com o produto estrangeiro. “Para a indústria fragmentada, em geral, o Brasil está com deficiência em sua defesa comercial e isso prejudica muito.”

Correndo atrás

A produção mineira e brasileira de leite tem dificuldade de decolar, diferentemente de outras cadeias do agronegócio que despontaram, a exemplo da soja e das carnes. Ainda assim, Rodrigo Alvim observa que de 2001, quando foi concluída a prova de dumping praticado pelo leite importado da Europa e da Nova Zelândia, a 2010, o Brasil elevou os volumes do leite nacional em 10 bilhões de litros.

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