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terça-feira, 31 de outubro de 2017
Ouro negro com a cara de Minas
Jornal Estado de Minas

A indústria de derivados do café é fruto de um Brasil inventivo e ousado

Na terra do café e do leite, a produção do ouro negro já não deve nada à diversidade da tradicional cadeia de derivados feitos de modo artesanal, do requeijão aos queijos e doces. A indústria dos subprodutos do cafezal ganhou reconhecimento entre os produtores e alguns desses itens, a exemplo de cosméticos exclusivamente à base de café, são encontrados no varejo em diversos estados e estão cruzando as fronteiras do país.

Não é sem esforço que os empreendedores desse ramo novo, mas de impressionante potencial, transformam em negócio tudo o que sobra no terreiro e nas unidades de secagem das fazendas. Assim como os cafés gourmet, essa cadeia produtiva acumula pontos para Minas Gerais, com iniciativas que, embora sem efetivo estímulo do poder público, valorizam um produto identificado com a cultura mineira e grande responsável pelo bom resultado do comércio do estado no exterior.

O café de Minas Gerais movimenta sozinho mais de R$ 14 bilhões ao ano, o que representou no ano passado cerca de 7% do Produto Interno Bruto (PIB, a soma da produção) do agronegócio do estado, segundo a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg). Maior produtor nacional, Minas deve colher 24 milhões de sacas em 2017, cerca de 54% do total esperado do país.

Da palha, da casca, da florada e do café verde surgem finos licores, chás, cerveja, mel, doces, artesanato e completa linha de itens de beleza e conservação da pele. As entidades da cafeicultura mineira ainda não sabem qual é a força da produção dos derivados e nem conseguem mensurar a receita que eles envolvem, mas acompanham seu próspero desenvolvimento não só diante do desempenho da lavoura, como também perante o ritmo das inovações e da tecnologia empregada.

É o que diz Breno Mesquita, presidente da Comissão de Café da Faemg, convencido de que a indústria de derivados do café é fruto de um Brasil inventivo e ousado. “As pessoas estão empreendendo, investem em tecnologia e buscam alternativa para usar o café. É um desafio bacana criar algo novo com um produto que é a cara do Brasil e de Minas Gerais”, afirma.

A afirmação faz todo o sentido para a farmacêutica e bioquímica Vanessa Vilela Araújo, sexta geração de uma família produtora de café em Três Pontas, no Sul de Minas, onde ela iniciou a Kapeh, marca de cosméticos à base de café. “É um produto extremamente rico para a nossa pele e as pessoas estão descobrindo isso”, diz Vanessa.

A empresa foi criada em 2007, com linha de sete produtos. Hoje, oferece 120 itens vendidos em lojas multimarcas de 18 estados. Com três pontos próprios de vendas em Três Pontas, Varginha e Poços de Caldas, a Kapeh exporta para Portugal, Holanda e África do Sul.

Fincar no exterior a marca do café de alta qualidade explorado na fazenda Estância Sítio Capinzal, em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, é também a pretensão do cafeicultor Pedro Rodrigues Dias. Ele sucedeu ao pai, que assumiu a lavoura em 1969, e desde 2011 trabalha na produção de derivados por meio de parceria com outros empreendedores. Além do grão selecionado, Pedro e a mulher, Paula Dias, desenvolveram licor de café e de cascara (cereja do café), chá, mel e cerveja, junto a uma gama de sobremesas de café.

Do trabalho nasceu a marca de derivados Grandpa Joel’s Coffee. Foi o pai, Joel Dias, quem começou na empreitada da fazenda. No varejo, a ideia foi criar a Coffee Bike, uma cafeteria sobre rodas. “Do que precisamos agora é nos organizar. O café é uma riqueza que tem de ser desenvolvida”, diz Pedro Dias. Os derivados seguem o rastro das vendas do café em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Cuiabá. Só não alcançaram ainda o mercado já ocupado pelo grão em Vancouver (Canadá).

Os derivados do café de Minas surfam numa onda mais positiva do que se poderia imaginar, de acordo com Breno Mesquita, tendo em vista que o país, hoje, é percebido como fornecedor de quantidade e qualidade, não mais da simples commodity.

45% - É o percentual da área e Minas Gerais ocupado ela agricultura (13,3%) a pecuária (32,2%)

Delícias do café

Nova coletânea com cerca de 260 receitas de comida doce e salgada e de bebida à base de café será publicada pelo governo de Minas Gerais provavelmente no ano que vem. A autora da pesquisa, a extensionista da Emater-MG Marina de Castro Barbosa, fez a seleção em 56 cidades a partir de festivais regionais. Será a quarta edição do livro Delícias do Café.

Fora dos trilhos

No segundo trimestre deste ano, foram as safras recordes de milho e soja, e a expressiva colheita de feijão, que contrabalançaram a retração da produção no estado do café, astro do agronegócio mineiro. A agropecuária de Minas encolheu 0,2%, na prática uma estabilidade, em relação ao trimestre de janeiro a março. Na comparação com o segundo trimestre de 2016, o setor cresceu 4,7%.

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