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terça-feira, 7 de março de 2017
Produção pode crescer no Mucuri
Diário do Comércio
A criação de caprinos e ovinos na região do Vale do Mucuri, em Minas Gerais, será estimulada com as ações do Programa Rota do Cordeiro, criado pelo Ministério da Integração Nacional, e desenvolvido em parceria com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), unidade Caprinos e Ovinos, e entidades regionais e locais.
 
O objetivo do programa é o desenvolvimento local, estimulando a comercialização da produção e a estruturação da cadeia, e reunindo os produtores aptos a fornecer produtos para as indústrias, unidades abatedoras, processadoras e cliente. Os resultados esperados são o aumento da produção e da qualidade do rebanho, maior renda e o desenvolvimento da região.
 
A estratégia do Programa Rota do Cordeiro é apoiar a atividade de produção de cordeiros e cabritos em regiões com tradição na criação destes animais, com concentração de pequenos produtores e de economia deprimida. Apesar de ser focado no pequeno produtor, a participação dos médios e grandes também é permitida.
 
Criado em 2012, o Rota do Cordeiro é amplamente desenvolvido no Nordeste do País. Devido aos bons resultados já obtidos, o objetivo é expandir para outros estados que apresentem aptidão. Uma das iniciativas é o polo mineiro localizado no Vale do Mucuri, composto pelos municípios de Teófilo Otoni, Poté, Carlos Chagas, Nanuque e Ponto dos Volantes.
 
De acordo com médico veterinário, pesquisador da Embrapa Caprino e Ovinos e coordenador do Programa Rota do Cordeiro na Embrapa, Octavio Morais, as ações desenvolvidas nestas localidades favorecem os demais municípios do Mucuri e alguns do Vale do Jequitinhonha, Norte e até do estado Espírito Santo, já que o objetivo é o desenvolvimento regional.
 
Morais explica que são feitas avaliações para identificar regiões que tem potencial para o desenvolvimento da produção de caprinos e ovinos. A preferência é que nestas localidades, além da presença dos produtores, existam formas de comercializar os animais vivos, beneficiar a carne e mercado consumidor.
 
“Nosso objetivo é estimular o crescimento sustentável da produção de caprinos e ovinos em regiões onde a criação já é tradicional. Para que isso seja possível, trabalhamos junto aos produtores para a formalização e melhoria dos rebanhos, das estruturas e dos produtos. Antes de estimular o aumento da produção dentro das fazendas, avaliamos a capacidade de beneficiar e de comercializar do produtor, o que é importante para dar segurança aos investimentos. Não adianta o produtor aumentar a produção se não tiver mercado”, disse.
 
Demandas
 
No Polo do Mucuri já foram feitas reuniões e levantadas as primeiras demandas para o desenvolvimento da atividade. Uma das principais é de tecnologia, tanto para a seleção de forrageiras mais adaptadas e nativas, como para avaliação do material genético animal disponível e possíveis cruzamentos. Por ser uma região que também investe na pecuária bovina, a proposta é estudar a criação de caprinos e ovinos em consórcio com bovinos. As ações para a conservação e recuperação de nascentes e formas de captação e uso racional da água estão entre as prioridades.
 
Para que a atividade cresça, antigos problemas como a necessidade de melhorias nas estradas vicinais e da capacidade e regularidade do fornecimento de energia elétrica precisam de solução. Outras questões importantes são a adaptação e a licença para frigoríficos locais abaterem ovinos e caprinos. Também será necessário promover capacitações para produtores e técnicos.
 
“O potencial do Polo Mucuri é muito grande. A proposta deste núcleo é produzir o cordeiro e o cabrito verde, alimentado a pasto. Este tipo de produto diferenciado é importante tanto pela qualidade como pelo melhor preço que o produtor pode receber”, apontou Morais.
 
Criadores se organizam para abate na Bahia
 
De acordo com o presidente do Núcleo Nordeste e Norte da Associação dos Criadores de Caprinos e Ovinos do Estado de Minas Gerais (Accomig Nordeste e Norte MG) e coordenador do Comitê Gestor do Polo Mucuri, Marcelo Ribeiro, as expectativas em relação ao desenvolvimento da atividade na região são positivas.
 
Ribeiro explica que hoje os produtores já estão se organizando e comercializando os animais para o abate em um frigorífico na Bahia. A expectativa é que outras plantas abatedoras passem a atuar na região.  Em Poté, uma unidade frigorífica, que já abate bovinos e suínos, está em reforma para abranger o abate de ovinos e caprinos. Em Teófilo Otoni, já existe uma planta apta para o abate em nível municipal.
 
Dentre as ações que visam a melhor organização dos produtores, está a construção de uma central de comercialização, no município de Poté. A unidade será a responsável por toda a comercialização da região.
 
“Estamos otimistas e acreditamos que a produção de caprinos e ovinos tem grande potencial para crescer. Conseguimos fechar um acordo que garante a compra de toda a produção por um frigorífico na Bahia. Isso é importante para que os produtores continuem investindo na melhoria da qualidade do rebanho e na ampliação”.
 
Ainda segundo Ribeiro, muitos produtores que criavam os animais para a subsistência estão investindo para que a produção se torne comercial. Isto vem ocorrendo devido às boas expectativas de mercado. “Nosso rebanho não é padronizado, por isso, estamos selecionando os animais conforme a demanda da indústria e, isto, tem incentivado a produção e gerado renda”.
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