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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
Um ano de safra recorde na cafeicultura, com 28,9 milhões de sacas
Diário do Comércio
O ano de 2016 foi considerado positivo para a produção de café em Minas Gerais. No período, que, ao contrário dos anos anteriores foi marcado por variações climáticas pontuais, foi colhida uma safra recorde de 28,9 milhões de sacas, o que significou um crescimento de 29,7% frente ao ano anterior. Os preços também apresentaram recuperação. Para o próximo ano, a expectativa é de queda na produção devido ao período de bienalidade negativa e ao desgaste dos cafeeiros após a safra alta.
 
Minas é o maior estado produtor de café, sendo responsável por 58% do volume nacional. A produção estimada para o Brasil é 49,6 milhões de sacas, aumento de 14,8% em relação ao período produtivo anterior, segundo os dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).
 
De acordo com o diretor da FAEMG e presidente das Comissões de Cafeicultura da Faemg e da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Breno Mesquita, o ano foi positivo para a cultura.
“Este ano tivemos uma safra excelente em Minas Gerais. Os dados da Conab confirmam uma safra de 28,9 milhões de sacas de 60 quilos em Minas e de 49 milhões no Brasil, o que é recorde para o Estado. Tivemos um bom ano, com boa produtividade e os preços competitivos”.
 
Preços
 
Os preços pagos pelo café mantiveram-se acima dos custos em parte do ano, cenário que no início de dezembro foi modificado. A queda dos valores, segundo Mesquita, não condiz com a realidade entre a oferta e a demanda pelo grão, já que existe um déficit mundial na produção do café. Os estoques oficiais de café no Brasil estão em torno de 750 mil sacas, ou seja, o volume é praticamente nulo.
 
“Não existe explicação para a queda dos preços do café. O grão é uma commodity tão complexa que vários fatores influenciam, como o câmbio, as questões políticas, as eleições dos Estados Unidos, entre outros. Então, tudo isso faz com que o ambiente comercial do café sofra interferências externas. Mas, hoje, baseado no que o Brasil e o mundo produzem e consomem, sabemos que teremos um déficit de café. Isso já vem acontecendo há algum tempo”.
 
Com a retração verificada nos preços, a situação dos produtores é considerada desafiadora. Se em meados de novembro a cotação do grão estava em torno de R$ 600 por saca de 60 quilos, o preço na segunda semana de dezembro já variava de R$ 530 a R$ 550, o que dificulta o planejamento.
 
Mesquita explica que o preço atual está no limite, principalmente na cafeicultura desenvolvida nas regiões montanhosas, onde o custo é mais elevado. O cafeicultor não está perdendo, mas também não ganha.
 
“Olhando os anos anteriores, quando a safra mineira foi amplamente prejudicada pela estiagem, a ideia era que, com uma safra boa e preços atraentes em 2016, o produtor teria condições de fazer o planejamento, continuar na atividade e investir, melhorando alguns processos e a gestão. Tomara que as coisas melhorem. No atual contexto, o cafeicultor está sem capacidade de investimento”.
 
O café se mantém como o principal produto do agronegócio mineiro. É responsável por 45,1% das exportações do setor no Estado, acumulando US$ 2,7 bilhões entre janeiro e outubro de 2016. A Alemanha continua sendo o principal importador (21,1%), seguida pelos Estados Unidos (20,5%) e Itália (10,7%).
 
Produção tende a recuar em 2017
 
Ao longo do ano, Minas Gerais enfrentou alguns problemas climáticos. Com as chuvas no final de maio e início de junho, quando a colheita já havia sido iniciada, houve queda de café e perda de qualidade. Também foram registradas geadas e chuvas de granizo em áreas expressivas no Sul de Minas. As altas temperaturas e a falta de chuvas também marcaram o ano em algumas regiões. O maior impacto será sentido na produção em 2017.
 
Muitas lavouras apresentaram estado vegetativo ruim após a colheita. Além disso, vários produtores adotaram o sistema “safra zero”, realizando podas em lavouras para obter melhor produtividade nos próximos anos.
 
“Levando em consideração que Minas Gerais colheu uma safra muito grande em 2016, é uma tendência natural que a árvore fique depauperada e produza menos no próximo ano. Então, por conta disso, teremos, no ano que vem, uma safra bem menor”, avalia o diretor da FAEMG e presidente das Comissões de Cafeicultura da Faemg e da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Breno Mesquita.
 
Com os estoques de café em baixa, a expectativa é de preços melhores para os cafeicultores em 2017, o que, para se concretizar, também dependerá dos estoques privados.
 
“Sem estoques oficiais, acreditamos que o mercado possa ser mais favorável no próximo ano. Mas é preciso lembrar que existem os estoques de cooperativas, dos armazéns-gerais, que não sabemos quantificar. Sabemos que o Brasil terá uma oferta muito apertada de café até a safra 2017, mas acreditamos que o volume será suficiente para cumprir compromissos internos e externos”, explicou Mesquita.
 
Cafés de Minas têm valor agregado
 
A FAEMG, em 2016, organizou e realizou um dos mais importantes acontecimentos do setor: a 4ª Semana Internacional do Café (SIC).
 
Durante a SIC, foram promovidos eventos simultâneos e muito concorridos, como o Fórum da Agricultura Sustentável, DNA Café, Copa Barista, Concurso Coffee of the Year 2016, Cafés da Semana e Espaço Café+Forte.
 
Também foram apresentados e degustados os “Cafés de Minas”, contextualizando as principais características da bebida produzida no Cerrado, Sul, Mantiqueira, Matas de Minas e Chapada.
 
O ano de 2016 também foi de expansão para o Programa Café+Forte, que tem como objetivo realizar a transferência de tecnologia nas áreas de gestão e custos, aumentando a capacidade de gerenciamento do cafeicultor mineiro. As ações envolvem cerca de 400 cafeicultores, distribuídos em 60 municípios das regiões das Matas de Minas, Alto Paranaíba e Sul. Para o ano que vem, a intenção é ampliar o programa para a região da Chapada de Minas.
 
Abastecimento será garantido nos mercados interno e externo
 
Mesmo com a expectativa de produção menor em 2017, em função do ciclo natural de baixa, o volume disponível no País, ainda que ajustado, é considerado suficiente para garantir o abastecimento interno e externo. De acordo com o diretor da FAEMG e presidente das Comissões de Cafeicultura da Faemg e da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Breno Mesquita, importar café não será necessário.
 
A entrada no Brasil de grão produzido em outros países é cogitada pelas indústrias de café solúvel e torrado e moído, em função da baixa oferta do café conilon. Porém, a aquisição é considerada arriscada por fatores fitossanitários que podem comprometer a produção mineira e nacional.
 
Mesquita explica que a safra do café conilon foi muito baixa e, provavelmente, em 2017 não será muito maior que a deste ano. Mas, segundo consta, o deputado federal Evair de Melo (PV/ES) visitou as regiões produtoras de Espírito Santo e apurou que existe um estoque de conilon de 4 milhões a 5,5 milhões de sacas de 60 quilos, volume que permite superar os problemas de baixa oferta de café sem precisar importar.
 
“Entendemos que a importação de café em um país com grandiosidade de produção como o Brasil seria um crime. Demoramos anos e anos e investimos milhões e milhões de reais para consolidar um mercado extremamente interessante em nível interno. Entendemos que todo este esforço, da própria indústria e, principalmente, do produtor - que está investindo para melhorar a qualidade do café - construiu um mercado promissor e é justo que o produtor possa explorá-lo”.
 
Mesquita afirma que a questão do café no Brasil, em especial em Minas, não é apenas no setor comercial, é no setor social, na geração de empregos e na importância que o produto tem para a economia.
 
“Nossa preocupação é que, com a liberação da importação de café, a gente perca o controle da entrada do grão no Brasil e que a ação se torne uma ameaça muito grande para a produção. Além de perder mercado, a questão fitossanitária é muito grave. Existem pragas em outros países que nós não temos aqui, e é uma ameaça constante para o café brasileiro. Há de se ter muito cuidado em pensar em importar. Tem que ter muita responsabilidade”.
 
No Brasil, são 1,9 mil municípios produtores de café, envolvendo de forma direta e indireta mais de 8,4 milhões de pessoas. “No momento de crise no País e o enorme número de desempregados, é preciso ter cuidado, principalmente, na questão de sanidade para não colocar em cheque uma atividade tão geradora de renda e empregos”, disse Mesquita.
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