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segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Banana: a quem interessa importar do Equador?
Estado de Minas
Pierre Vilela
Coordenador da Assessoria Técnica da FAEMG.
 
As tentativas do governo equatoriano de convencer seu par brasileiro a liberar a entrada da fruta não são recentes. Desde a década de 90 há incursões, mas vinham sendo rechaçadas com base nos vários problemas sanitários que a bananicultura equatoriana enfrenta e que poderiam ser trazidos ao país.
 
Até então, pesquisadores de diversas instituições públicas conseguiam demonstrar os riscos que a bananicultura nacional poderia correr com a livre circulação de frutos importados no mercado interno. Os problemas sanitários no Equador permanecem e tornam a banana de lá um dos produtos que mais utilizam agrotóxicos no mundo. O que mudou então?
 
QUEM GANHA
 
Sob o suposto argumento de melhorar o equilíbrio da balança comercial entre os dois países, bastante favorável ao Brasil, o Itamaraty e a Casa Civil resolveram simplesmente ignorar toda a argumentação técnica.
 
Aguardam apenas a análise de risco sanitário - meramente para cumprir a legislação - a fim de liberar a entrada. Estudos da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) demonstram que de cada unidade monetária (dólar, euro, etc.) de banana vendida a um consumidor no mundo, o trabalhador equatoriano fica com 1,5% e o proprietário da fazenda, se equatoriano, com 10%. As grandes empresas comerciais, todas norte-americanas, em um negócio que movimenta mais de US$ 8 bilhões por ano, ficam com 31%. Portanto, a quem interessa um mercado como o brasileiro? Quem se beneficiará efetivamente?
 
QUEM PERDE
 
Os impactos sobre a bananicultura nacional são imprevisíveis e vão além dos riscos sanitários. Os equatorianos só produzem bananas do subgrupo Cavendish, equivalentes à nossa caturra ou nanica. Pode-se imaginar, portanto, que em um primeiro momento o grande poder econômico das empresas comerciais norte-americanas facilitará a entrada de frutas a baixo custo, até mesmo abaixo do custo de exportação, visando a abrir mercado.
 
Consequentemente, em pouco tempo todo o mercado terá novos patamares de preços. Os produtores da mesma variedade, que não tiverem custos compatíveis, poderão ser simplesmente alijados dos negócios. As demais variedades terão que acompanhar as cotações da banana importada, para manter seus consumidores. O mercado brasileiro, então, passa a acompanhar as tendências e variações do internacional, sobre o qual não temos nenhuma influência ou condições de intervir: um processo de “comoditização” da banana. Perde o consumidor, que não vai entender por que a fruta subiu ou caiu de preço, independentemente de quanto produzimos aqui.
 
OUTROS PRODUTOS
 
Decisões similares já foram tomadas e esclarecem bem a realidade atual de alguns produtos no país. Ainda no regime militar, o governo brasileiro decidiu que o trigo seria um produto de troca para negociações internacionais. Temos tecnologia e área, mas há a decisão política de não estimular a produção interna, mantendo as importações em cerca de 50% da demanda nacional. Gastamos, em 2012, US$ 1,9 bilhão com trigo importado.
 
Em outra decisão de troca, o governo “ofertou” o mercado de alho nacional aos chineses. Em 2011, por exemplo, as importações brasileiras de alho alcançaram US$ 250 milhões, para um volume de 163,7 mil toneladas. A produção nacional no mesmo ano foi de 143,3 mil toneladas, com valor bruto de produção estimado em US$ 282 milhões. 
 
Mais recentemente, sob o argumento de controle da inflação, o feijão também entrou na lista de produtos sujeitos a importação, beneficiando a China e outros países. Em 2011, importamos 108 mil toneladas de feijão, cerca de 3% da safra nacional daquele ano, com despesa de US$ 77 milhões. No ano seguinte, a importação alcançou 345 mil toneladas – 12,2% da produção nacional – com despesa de US$ 285 milhões.
 
A banana é o único produto agrícola plantado nos 27 estados e dela dependem economicamente muitas regiões. Decisões atropeladas e desmedidas da diplomacia brasileira como esta não consideram os dois elos da cadeia que sempre perdem com isso: o produtor e o consumidor brasileiro. Vamos exportar divisas que poderiam favorecer pequenos e médios agricultores nacionais. O ganho será dos traders norte-americanos, que certamente estão aplaudindo mais este capítulo vergonhoso de nossa história.
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